segunda-feira, 10 de junho de 2013

:: Poema


Rascunho no branco
a protopoesia que estava
ali
solta e viva a rondar bocas e
vidas
deslizando entre pés e pernas
descidas
ancorada em tímidos soslaios
compassos
aerada e cinza de fuligens de
máquinas
proto-rica-poesia perdida e
nua
onde será que foste parar
rua
como vou resgatar toda um dia
você
integra
simples
e
pura
 ?



domingo, 17 de março de 2013

:: poema


um bom poema andou por anos
na rua da amargaliteratura
lido e copiado 
aqui
ali
décadas a fio
desafiou críticos e padrinhos
sem gênero definido
a saber se era linha ou linho
costurou com angústia e lírica
seu próprio caminho
morrendo e re
vi
vendo
toda essa putaria escura
de muita vaidade
e pouca bravura.


sexta-feira, 1 de março de 2013

:: Poema


Sempre que vem o haikai
o essencial fica
o exagero sai


quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

:: Poema


O pé a esfoliar-se estático
mudo angustiado
vai... sem sair do lugar


terça-feira, 4 de dezembro de 2012

:: Poema (/)


quantos gritos
gemidos
e carne

são precisos?

:Poema (?)


Margem

O sol cicatriza feridas d'Água



:: Poema (?)


Enquanto todos dormem...


Apago as Tvs
Mas permaneço noir


segunda-feira, 5 de novembro de 2012

:: poema


Perplexo
Estático
Ouve ao longe ruídos vencedores
Não lamenta não ora
E mudo em verdade
Faz o que pode
Mas é não-poesia
Verso fraco
Eco
Bulimia
Palavra por palavra
Encolhem diante da imensidão
Diante da noite branca
Que assenta sobre o papel

terça-feira, 25 de setembro de 2012

:: Lançamento de Poemas Incompletos no PARLAPATÕES! Apareça!!! ::

Olá a TODOS!

DEPOIS DE UM PRIMEIRO LANÇAMENTO MARAVILHOSO, CHEGOU  HORA DE CONVIDÁ-LOS PARA O 2º LANÇAMENTO DE POEMAS INCOMPLETOS E OUTROS TEXTOS - MEU PRIMEIRO LIVRO QUE FOI SELECIONADO NO PROAC 2011 DA SECRETARIA DO ESTADO DA CULTURA.

SERÁ DIA 29/09 A PARTIR DAS 17H30 NO PARLAPATÕES - UM LUGAR SINGULAR, IMPAR EM SÃO PAULO -, NA PRAÇA FRANKLIN ROOSEVELT, 158. CENTRO. PRÓXIMO DAS ESTAÇÕES REPÚBLICA E ANHANGABAÚ DO METRÔ.

O BAR ESTARÁ FUNCIONANDO E VOCÊ PODERÁ TOMAR SUA CERVEJA, SUCO OU CACHAÇA - E COMPRAR O LIVRO, CLARO! :))

MAIS INFORMAÇÕES POR EMAIL, FACE, TWITTER OU CELULAR: norival.junior@gmail.com - www.facebook.com/poemasincompletos - www.twitter.com/juniornl - (11) 98101-2378

EM ANEXO O CONVITE. DIVULGUE!



--
N.L. Junior

terça-feira, 28 de agosto de 2012

:: poema

Todavia em São Paulo é poesia.
Metro livre à noite
Fixo e rimado no rush

Outras pura poesia concreta
Fragmentadas:
letras esparsas espalhando palvrões e encantos
Absorvendo borrachas, lama e sono

Algumas versos inacabados
Mudos
Escuros
Sorriso de gente triste

Toda via em São Paulo é poesia.
Cheias de cal e suor
Cheias de idas
De suspiros e
palavras inomináveis.

:: poema


Dirijo poemas
Nas vielas impermeabilazadas
Da vida
Sou fazedor de enchentes.

:: poema


Dedos marchetam a vida
Costurando sorrisos
no azul do ar

sábado, 30 de junho de 2012

:: Poema (?)

ao Tom
(este)

poema de um verso só


quinta-feira, 28 de junho de 2012

:: Poema


Luz

O que faz a luz na sala
Atrás das cortinas
cerradas
sozinha no escuro?

O que faz a luz sozinha na sala
Em silêncio
À parte dos estalos
do tablado
Circundando de toda Sevilha
só um pedaço?

O que faz a luz na sala
Atrás das cortinas
cerradas
Sozinha no escuro?

:: Poema


Pontos pretos vagueiam
em par
Planam em zigue-zague
Cruzam sua fração de azul
brincando de voar


:: Poema (?)


"Anda!"

para onde caminho
o que podem passos?


:: Poema (?)


Há tristeza sim
alheia e cheia de fuligem
Zanza pela língua escorre pela garganta
e brota na cútis 
Aqui
não raro
ela é tudo
monocelular e resistente
pré-histórica
nem-vai nem-vem
sorrateiramente Incapaz
permanente
em
fim.



domingo, 6 de maio de 2012

:: Poema



no haicai
só sai
o que fica


:: Poema


o vento soprou silêncios
nas frestas segredo
da tarde



sábado, 24 de março de 2012

:: Poema


Hoje o nada
desabou sobre tudo
e o tempo -
esse vácuo abstrato -
é seu único aliado.


terça-feira, 13 de dezembro de 2011

:: Poema



traços constroem no linho
horizonte possível
: desvios
 
 

:: Poema


o nordeste sempre foi
meu chão
sem lá estar
ou ir
sinto entre meus dedos
e calcanhar
Bahia Ceará Maranhão
Piauí
todos picados e batidos
à palma da mão
prensados
disformes
rachados
: chão



quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

:: Poema



o som da enxada cava
fundo: metal e pedra se estranham
terra revolta

oxigênio

fratura exposta no chão
germes 
           vida
podridão

sangue calos suor
transfusão

vida inteiras à palma da mão

sedimentos
                 células
depósitos de brevidade
de nada
adubando
enriquecendo e nutrindo
solas pés e pão.




:: Poema


hoje as mãos enrugaram como nunca
sob a água
pareciam comunicar algo
prestes a estourar
do fundo d'alma bolhas viajaram
léguas sanguíneas
e se mostraram ao centro espalmado
sem timidez

minutos-horas-sob-a-água
não afogaram
ou-sequer-deram-outra-perspectiva
menos decadente
do que a velhice estampada nas enrugadas
digitais dos dedos

hoje a vida enrugou como nunca sob
o aqueiro que escorre sem parar pelo ladrão
e que escapa das palmas (enrugadas)
entre meios

a água-víscera não se contém e expande
espalhando vícios
quem tentou coagular a água?
faz-se ver
quem tentou esticar a pele enrugada que espalma
na mão?
quem tentou deformar tudo que se sabe
mas finge que não?


sábado, 19 de novembro de 2011

:: Poema


Céu-Cinza-Chumbo
Nuvens Carregadas
Parecem Veludo



sexta-feira, 7 de outubro de 2011

:: Poema

 
Uma noite de 64

passos em marcha
noturno intenso
latidos calam o silêncio

:: Poema

 
Cena II

Luz sobre luz
mundo liso à palma da mão
olhos fixos parte por parte
olhos embreagados no todo
ar ar ar : encanto

:: Poema

 
Falanana
até eu pegar o sono
fugir
e tonto desabar em
flashes e sinapses edificantes
 
Falanana
voz quente e macia
segredos de outra vida
lacunas cheias de espera e perspectivas
 
Falanana
beijos adjetivos e dedicatórias com
marcas da boca da pele
em suaves tatos
hora destraídos ora ousados
 
Falanana
olhares cerrados sobre o vácuo
sentido cortando espaços
silêncios revelando Dias
 
Falanana
até eu pegar o sono
fugir
e tonto desabar ofegante
no calor de teus relevos
 
Falanana
da falta que sua ala faz no carnaval
do samba oco do tamborim
disritmado, torto das
tentativas e
do fim
 
Fala Nana
 
 

N.L. Junior

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

:: Poema

 
 
So its all
All it is too much
Life Life Life
Our road is long
In the end
Like a Western
The path to the Sun
Is so so enough.


terça-feira, 20 de setembro de 2011

:: Poema

 
para Paulo Leminski
Mal
                  Mais hora
Menos hora
                 Todo mundo se sente
 
Duro é viver a vida inteira
Sempre consciente
 
 

:: Poema


esquecer-se
não tem mistério:
hoje nem eu me quero

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

:: Poema



Foto I

sombras, ao contrário do que pensam,
falam do lado claro da vida
gestos e imagens dançam ao sol
:sorrisos
pai e filho desfilam mãos 
sobre o corpo do dia.









--
N.L. Junior

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

:: Poema

Varandavenida

Amarelas
Pretas
Brancas

Coloridas
Manchadas
e

Tingidas Tremulam Frescas

Desinibidas

Aderindo ao Carbono

como

Brisa



:: Poema

Celular
os dedos em transe
trançando letra por letra:
palavras-palavras


quinta-feira, 28 de julho de 2011

:: Poema


pow pow pow
martelos e marretas avulsas
saltam sobre cabeças e ilusões rachadas


terça-feira, 26 de julho de 2011

:: Poema


qualquer coisa
entre o vácuo e o vazio
é o terreno que me habita

terça-feira, 17 de maio de 2011

:: Poema


AUTOR - RE - TRATO

*Ao Laércio, com vergonha, em memória

"E o que me importa, esta dor feito faca no peito
Ninguém mais arranca, ninguém mais da jeito"
- Gonzaguinha -



Nem intelectual de fato
Nem malandro o suficiente

Sou aquele tipo de Idiota Ideal

: incapaz de incomodar

para além de um poema mal-feito





terça-feira, 10 de maio de 2011

:: Poema


roupas no varal
risos, rachaduras, quintal
esmaecer da vida: noite

:: Poema

 
Não-poema
: verso amargo
                         largo
 
Sem precisão
 
: insatisfeito com sua posição
 
                           latu
código
 
                      i n s e n s A t o
 
Mera palavra sem mensagem
receita médica
ou
relato
 
Se faz em verso
Sem dizer o que nos sustenta
anima
reacende
ou
defina
de 
fato
 
 

 

:: Poema


Cena I
 
corpos escorregam-se no torpor
dos seios subvertendo o chão
desalinhando os lábios e expandindo os espaços
na tentativa ruída de ser um
 
 

domingo, 1 de maio de 2011

:: Poema

Ponta
 
A ponta da caneta
fina que seja
tinta o papel
como se fosse pedra
 
Falsa delicadeza
obscura face: sorrateira
revala-se palavra doce
sob a marca negra
 
Trançando risco à deriva
cola em celulose: saliva
pedaços semânticos
escorridos na malícia do bico
 
Fina extremidade que corre
financiando atos: decretos
subjetivos ou concretos
esperando a eternidade
 
Às vezes sangue outras petróleo
faz zigue-zague: sonhos
zona imprecisa ponta
lisa, frágil e torpe
 
d
 e
s
           a
fiando
 o
             vazio.



:: Poema


Passos, passos, passos

Olhos além: rosto qualquer

Despedindo-se da tarde

sexta-feira, 29 de abril de 2011

:: Texto

 
                                                             Para Jorge L. Borges
 
na hora da angústia à meia luz
mirava com ternura seu colo
quem nos dirá as coisas que sentiu
Deus ao dar vida e calor àqueles olhos?


segunda-feira, 11 de abril de 2011

:: Poema


[ Luzes ]

contam segredos

[ janelas ]

longe de qualquer alma

[ revelam ]

todo-o-pouco

pintando amarelos no vazio

da
[ noite ]

:: Poema

nenhum verso consola o peito
que ausculta o piso

frio ou

olhar rumo ao vazio iluminado oculto

acortinado

véu esconderijo

vivo

espectros de seres frígidos

sóbrios ou

sombrios

ilusão redentora oca

dura demais

pra que se engula

pra que se fique na boca.



quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

:: Poema


Confessional  

percebo agora
gestos
que só você
viu.


quarta-feira, 19 de janeiro de 2011


Para Valéria

galhocadeirabalanço
pássaro embala eu
: espanto


terça-feira, 18 de janeiro de 2011

:: Poema

Houve um amor (há)
só de um
Valia por cem, duzentos
Valia por mil
Morreu
(pura mentira)
Gritando no silêncio reservado ao nada
Cheio de esperança por ser
Amor
Cheio de nãos e um ou outro
Sim
Carregado de desespero
dor e silêncio
Razão de ser amor
e
fim!

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

: Texto

Olhar:

Já há algum tempo, a mesa é metade comida e metade aparo, bagunça. Quando cedeu espaço para bugigangas e burocracias: contas, multas, jornais vellhos e correspondências-sem-sujeitos?


domingo, 9 de janeiro de 2011

:: Poema

Um cogumelo nasceu
Ali
num canto escuro-úmido

triste

Em poucas horas
(sem que fosse notado)
fez-se altivo

Se eu fosse poeta
(tal qual Gullar ou Zé Paulo Paes)

descreveria todo seu ciclo de modo
que forma e conteúdo seriam

o próprio

Como estas mãos não fazem versos
(não sabem)
fica este débil registro

(encanto)

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

:: Poema


Fios de prata seguem
lado a lado
no breu da noite


terça-feira, 7 de dezembro de 2010

:: Poema

II
azia rima com poesia
que
às vezes
é antiácida
outras
corrosiva
Não há dor que caiba na poesia
mas
se não nela
onde caberia?

:: Poema

Nunca achei trem
ou
metrô
matéria de poesia
mesmo porque
em horário de pico
só se fosse haicai
ou
pílula
se não
não caberia

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

:: Poema

como eu queria agora um cafe forte de coador
ver a água ferver, escurecer e escorrer
fazer cara feia sem sentir dor
limpar a boca com as costas das mãos e com desprezo
estalar os lábios: menos satisfação e mais torpor

queria agora um café forte de coador
buscando sinestesicamente teus sabores
cinicamente minhas dores
descobrir pelos cantos da casa seu odor

um café forte de coador
com aquele cheiro só seu
todo açucarado, melado
cheio de cristais

cafezinho forte de coador
sem motor, sem barulho, sem pressa: só fervor.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

::: Conto (?)

 

 I

 

Certa vez pele embriagada me ludibriou com caminhos do então: mordia meu calcanhar a escorrer sangue e do barro fez-me mais preso ao chão.

 

II

 

Flutuo na azia carbonizada: artérias ardem suavemente enquanto canto uma  canção desavisada aos que sorriem felizes de um modo simplesmente possível.

 

 

terça-feira, 5 de outubro de 2010

:: Poema

- Sem título -

Guarde o desespero
O surto
O GRITO
Guarde tudo isso para depois.
Espere o silêncio
...
Mas não se iluda em prendê-lo
Que paz verdadeira não se tem nessa vida
E a utopia é combustível invisível nos teus pulmões
Não desperdice assim a insanidade
Munição tão cara não se joga fora
Alimente-se do trânsito
do aperto
do transe
da espera
das dores
da inveja
Tudo isso fortalece
E o teu trabalho, acredite, enobrece
Não adianta clamar
Todo ruído é feito de clamor
Teu piso é pedra
Teu riso é pedra
Tua cartilagem é de pedra
E a pedra dura porque é muda
Discreta: fortaleza de fragmento de terra.
Guarde o desespero
O surto
O GRITO
Guarde tudo isso para depois.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Evento


Olá!

Alguns versos meus foram incluídos numa produção da 127FUNDOS Cia. de Teatro que será exibida no próximo dia 18/09/2010 - 18h - no SESC IPIRANGA.

Após a apresentação, haverá um rápido bate-papo com os poetas.

Todos são muito bem vindos!


Saudações,
N. L. Junior


sexta-feira, 20 de agosto de 2010

:: Poema

desencontro
:seus pontos
em outra reta.

:: Poema

 
são seus traços
que delineiam
meu compasso
 

:: Poema

 
 
busco nos olhos alheios
a cura do cansaço
o peito vazio espreita
 

quarta-feira, 23 de junho de 2010

: Texto

Falar sobre o amor é sempre um risco absurdo de cair no clichê ou dar tiro no pé. De qualquer maneira, decidi correr esse ou esses riscos.

Não sou do tipo solteiro convicto como alguns gostam de ser ou parecer e como outros me classificam, aliás, costumo responder que sou um convicto da felicidade! Só ou acompanhado o sujeito deve buscar sua alegria, bem estar: felicidade. Para tanto, reproduzo um conceito comum em que a vida se constitui de momentos felizes e que como sabemos não são os únicos de uma vida minimamente normal.

Ao "involuntariamente" pensar neste assunto, imaginei o seguinte cenário: a mulher ideal seria além de linda – aos meus olhos -, amiga, admirável, independente e simples. Ela seria também carregada de uma alegria natural e essa seria sua única exigência: que você fosse também naturalmente alegre.

Idealização, clichê, obviedade ou qualquer outra coisa, pouco importa nome ou característica dada, o amor deveria ser assim.

O exemplo é dado por meio de uma mulher e ilustra um relação amorosa, porém isso se estende para tudo: pai para filho e vice e versa e , claro, amigos; aliás essa formula deriva muito da relação de amizade dentro e fora do círculo familiar.

É delicioso gostar de alguém e simplesmente não sofrer com suas viagens constantes ou longas, pelo contrário, curtir a ideia e superar a tristeza inicial por curtir a mesma expectativa boa do outro e depois ser também beneficiado da sua alegria e êxito: "o amor é paciente, cuidadoso e não tem vaidade" bíblia sagrada, corintios, 13. "O amor é […] amor", Camões.

Desconheço a contribuição da psicologia ou qualquer outra mais moderna, mas quando não é assim, pode até parecer amor, pa-re-cer.

Se machuca, se destrói, se afasta, ou seja, se a vaidade fala mais alto, o amor está contaminado ou não é amor.


Sobre saudade e ciúmes.


Saudade é presença em nós de algo bom do outro: "é amor que fica", citando um médico que cita um paciente. Ausência é, na verdade, presença. Todos somos provas de que valorizamos mais algo ou alguém quando somos afastados. Outra obviedade: saudade é bom, aliás, muito bom!

O ciúmes é fundamental em qualquer relação, desde que mantido a níveis seguros, funciona como o raio: descarga elétrica que fertiliza o solo.


Todos conhecemos uma ou outra história amorosa, filial ou de amizade que enche-nos de esperança ou de tristeza, isso é a vida real.

Particularmente não creio que minha definição inicial seja um idealização: temos em maior ou em menor medida esse amor paciente, cuidadoso e sem vaidade; precisamos sim é acordar para ele em todas as suas esferas: aproveitá-lo muito e oferecê-lo muito, contudo, para que isso seja real é indispensável que isso comece com seu interlocutor inseparável que é você mesmo.

Seja consigo o que gostaria que outros fossem: amigo, admirável, independente e simples.

Estar bem com seu eu, ou seja, em equilíbrio, é o mínimo que você pode fazer por você mesmo e por mais paradoxal que pareça, isso não quer dizer, nem de perto, rir o tempo todo.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

:: Poema

DECLARAÇÃO


É você
mesmo que tardio
meu estalo
meu clichê
obviedade de minha confusão
É você
minha catacrese
meu ritmo acelarado
minha melopeia
É você
meu ato sem ação
minha insônia
meu riso amarelo
meu motivo de reclamação
É você
alegria que entristece
meu maior presente
manhã que me anoitece
É você
meu abono legítimo
meu algo no vazio
nascente da minha alegria
meu rio
É você
meu arroz caseiro
meu fuba com erva doce
doce de leite mineiro
É você
minha sombra
minha brisa
minha tapioca exagerada de Iracema
meu pôr do sol em Fortaleza
É você
sem dúvida
calor e calafrio
meu melhor estalo
mesmo que tardio.

sábado, 29 de maio de 2010

:: Poemas


 
Entalpia
 
Mordo seu riso amarelo
antes que tudo
seja cinza
 
 
 
Entropia
 
enquanto sinto você
es
co
r
r
endo
 de mim
 
 

segunda-feira, 12 de abril de 2010

:: Poema

Tenho livros que jamais lerei
não raro perco a fé nos estudos
depois volto a eles como se fossem a única saída
vozes cruzam minha cabeça sem que as distingua
sem que as ouça de fato
são ônibus e motos de escapementos abertos
transitando entre os espaços que separam meus neurônios
mesmo no estado de sono não me recomponho
eu sou caos ao acordar
sou dor
desespero
um rascunho
versos soltos num guardanapo amaçado
poema incompleto que anda

quinta-feira, 8 de abril de 2010

::: Conto (?)


"Não vou tocá-la. Meu tato é limitado. Meus olhos te tem inteira."


::: Conto (?)


"De manhã meu corpo era um rascunho caótico do seu."


::: Conto (?)

Gostava de vê-la nua esperando o amanhecer na janela, fingia dormir,mas observava-a.
Se existisse alguma verdade, pareceria com ela nua, esperando o amanhecer na janela.





sábado, 3 de abril de 2010

::: Conto

Fernanda foi assim: se apresentou, jantou, bebeu umas e outras. Mostrou que tudo é vontade, questão de querer ou não fazer. Quando parecia que ia ficar, partiu.
Alguns sorrisos e abraços, depois, partiu. Não deixou explicações nem desculpas, apenas uma lição, um vídeo e uma saudade que não cabe em 7 letras.

segunda-feira, 29 de março de 2010

:: Poema

Treva I

o braço sequestra a luz
revelando ali toda treva
concomitantemente escondida




Treva II

a treva com frio
abraça carinhosamente
a chama dentro do vazio

domingo, 28 de março de 2010

:: Poema

Falta um coração
É que há dor e medo suficientes para dois
Há pós-modernidade demais para um
E versos vazios para um batalhão

Falta um coração
Mais forte, mais pão, maior
Com coronárias mais vermelhas
que a Marginal ou Vinte e Três

Falta um coração
Do tamanho de Itaquera
Frio e calculado
Maior que o Capão

Faltam mãos
Com seus dedos e palmas
Para em vão massagearem o peito
Desse fibrilado coração.

sábado, 27 de março de 2010

:: Poema

- Sem título -


Há muita alegria e vento fresco lá fora
Já que hoje a tristeza descansa aqui

Passou aperto no trem e metrô
Dormiu no ônibus mas não se recuperou

Num bocejo tudo vira finados
Ou qualquer dia sem samba, sem riso, sem abraço

Nem vinho, cerveja ou cachaça barata
Espanta, anima ou mata

Cansada, enjoada dos outros ficará aqui
Por isso há muita alegria e vento fresco, lá fora.


sexta-feira, 5 de março de 2010

:: Poema


Quadro

caracol de cores -
o estático no branco
enrola nossas dores

segunda-feira, 1 de março de 2010

:: Poema

I

Feliz a lesma marinha
que mesmo cheia de sal
ainda caminha


II

Sopra raso e frio o vento
contraindo pisos e pés
presos no apartamento


:: Poema


Sons soltos na noite
Brindes nunca feitos
uma cena, uma dor, um peito.



terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

:: Poema


Carnaval I

soltas mãos desfilam
carícias na quente
cútis sob a roupa

Carnaval II

palavras dançam no ar
: bocas sussurram
desejos de pele







quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

QUINTA POETICA na CASA DAS ROSAS_26-11-09


Agradeço à Carmen pela disposição e pelo trabalho como um todo.

Cordialmente,
Norival

Quinta Poética - 26-11-2009 (anfitrião: Celso de Alencar)

Quinta Poética - 26-11-2009, promovido pela Escrituras Editora e Casa das Rosas (São Paulo, Brasil).

Celso de Alencar

79 –

http://www.youtube.com/watch?v=2zTPATLJzog

80 –

http://www.youtube.com/watch?v=ZRetfzP1U00

81 –

http://www.youtube.com/watch?v=gAGgFjE-9bg

117 –

http://www.youtube.com/watch?v=7QFlS6t3hdg

118 –

http://www.youtube.com/watch?v=Vxnt0Z0vx-I

133 –

http://www.youtube.com/watch?v=skrNnvD8Dzg

Ronaldo Silva (bailarino)

83 – não baixamos este vídeo, pois foi utilizada uma música de fundo de propriedade de terceiros

120 –

http://www.youtube.com/watch?v=9_hjsQw1pT4

Pedro Du Bois

84 –

http://www.youtube.com/watch?v=Sc4lXgi6x2I

85 –

http://www.youtube.com/watch?v=9GNcNXKO3T4

121 –

http://www.youtube.com/watch?v=1rHq3vHUzeA

Norival Leme Junior (jovem poeta)

87 –

http://www.youtube.com/watch?v=gUjR5Eiz_dU

88 –

http://www.youtube.com/watch?v=zpTv9yMORyg

89 –

http://www.youtube.com/watch?v=wqC_MuVxlFE

90 –

http://www.youtube.com/watch?v=kBhNmEgg18M

91 –

http://www.youtube.com/watch?v=GNC-N_gMRgA

92 –

http://www.youtube.com/watch?v=sslsJNM8zDA

93 –

http://www.youtube.com/watch?v=oV9AepVZ4MQ

94 –

http://www.youtube.com/watch?v=9RJZd-eQghc

95 –

http://www.youtube.com/watch?v=xeQN3acc2lM

96 –

http://www.youtube.com/watch?v=HDVQGA3m6yg

122 –

http://www.youtube.com/watch?v=dtPaiR6G2T8

Mary Castilho

98 –

http://www.youtube.com/watch?v=Ennvj0FthXM

99 –

http://www.youtube.com/watch?v=ff9sdeExa3I

101 –

http://www.youtube.com/watch?v=Gpr7b_CGNP0

102 –

http://www.youtube.com/watch?v=LAk-Cwsu2ps

103 –

http://www.youtube.com/watch?v=0GOTsJvBaJQ

104 –

http://www.youtube.com/watch?v=Ehmb7WKciUM

105 –

http://www.youtube.com/watch?v=XMnWiyWu4V8

124 –

http://www.youtube.com/watch?v=xdgjIv8DERQ

125 –

http://www.youtube.com/watch?v=jXw3xC-C3kM

126 –

http://www.youtube.com/watch?v=8-6qBZthwaY

Osvaldo Rodrigues

106 –

http://www.youtube.com/watch?v=SqbHJzE0C0k

107 –

http://www.youtube.com/watch?v=DTlsXVxxJso

108 –

http://www.youtube.com/watch?v=HCkSSL5eYQA

109 –

http://www.youtube.com/watch?v=pv29uoFbxik

110 –

http://www.youtube.com/watch?v=DaRV2CK-IDY

111 –

http://www.youtube.com/watch?v=9h_0_-ijPFY

112 –

http://www.youtube.com/watch?v=eeKVFlVMbTw

127 –

http://www.youtube.com/watch?v=zo-SklueKaE

129 –

http://www.youtube.com/watch?v=cg_LxNVsISU

130-

http://www.youtube.com/watch?v=jQ9JGPeZC2k

131-

http://www.youtube.com/watch?v=1mnxBdhpQUc

132-

http://www.youtube.com/watch?v=SbswZRkVi3M

Rudá de Andrade Filho interpretando poema de seu avô, Oswald de Andrade (participação especial)

115-

http://www.youtube.com/watch?v=DxgInRYjCXY

Julio Bittar (interpretando poema de Celso de Alencar)

116 –

http://www.youtube.com/watch?v=YiCMf-2_sQc



è Próxima QUINTA POÉTICA: 10 de dezembro de 2009, quinta-feira, às 19h, na CASA DAS ROSAS (anfitrião: José Nêumanne Pinto).



: Texto

Dias desses me pego deitado em minha cama, pronto para desabar em sono até o dia seguinte que viria logo, nada demais se eu não estivesse involuntariamente ou inconscientemente deitado da metade para baixo, ou seja, com pelo menos metade das pernas para fora cama.

Assim que o ato falho foi percebido, todos os problemas que circundam a cabeça de alguém que dorme hoje pensando no que fazer amanhã desapareceram, o que permitiu uma autoanálise quase que imediata.

A idéia de compensação imaginária foi a primeira a surgir, e confesso que ainda agora enquanto escrevo, dias depois, não foi completamente descartada; não fica atrás a de projeção, mero ato falho e, claro, coincidência.

Certo é que teve efeitos, um dos quais essa crônica é conseqüência, além de outros que não se revela em algo a ser publicado, mesmo porque, tudo já foi dito e resultou inútil, como qualquer poema.

Interessante saber que, ao contrário do que se imagina, é possível romper o bloqueio natural ora vigente de modo involuntário, embora ressalva seja feita, não é comum.


quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

:: Poema


 
 
coisa rotineira
dor vira música
entre as lavadeiras
 
 
distante do palácio 
trem lotado
corações racham o espaço
 
 
 
 

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

QUINTA POETICA na CASA DAS ROSAS_26-11-09







Escrituras Editora


e


Casa das Rosas convidam para a



QUINTA POÉTICA



com os poetas convidados


Celso de Alencar (anfitrião), Mary Castilho, Osvaldo Rodrigues,


Pedro Du Bois e o jovem poeta Norival Leme.


Participação especial do bailarino Ronaldo Silva.



Quinta-feira, 26 de novembro de 2009


a partir das 19h



Casa das Rosas - Espaço Haroldo de Campos


Av. Paulista, 37 - São Paulo/SP


Próximo ao metrô Brigadeiro.


Convênio com o estacionamento Patropi - Alameda Santos, 74


Informações: (11) 5904-4499


è Próxima QUINTA POÉTICA: 10 de dezembro de 2009, quinta-feira, às 19h, na CASA DAS ROSAS (anfitrião: José Nêumanne Pinto).






Saiba mais sobre o evento e os convidados:



Quinta poética


Mensalmente, a Casa das Rosas abre suas portas para a Quinta Poética, um grande encontro dos amantes da boa poesia, com a presença de poetas convidados e de um jovem poeta, que tem a oportunidade de apresentar seu trabalho. Grandes nomes da poesia, como Álvaro Alves de Faria, Beth Brait Alvim, Carlos Felipe Moisés, Celso de Alencar, Contador Borges, Eunice Arruda, Floriano Martins, Hamilton Faria, Helena Armond, José Geraldo Neres, Raimundo Gadelha, Raquel Naveira, Renata Pallottini, Renato Gonda, entre outros, já estiveram presentes nesses encontros, que são promovidos pela Escrituras Editora e a Casa das Rosas.



Os poetas:


Celso de Alencar (anfitrião) é poeta e declamador paraense, radicado em São Paulo desde 1972. O poeta e crítico Cláudio Willer, afirma que se trata do mais enfático poeta contemporâneo. O compositor e poeta Jorge Mautner o considera um poeta da 4ª dimensão, escandalizador e libertador de almas. É reconhecido entre os grandes talentos da geração de 1970, se apresentou na Inglaterra, França e Portugal. Tem vários livros publicados, entre eles: Tentações (1979), Os Reis de Abaeté (1985), O Pastor (1994, infanto-juvenil), O Primeiro Inferno e Outros Poemas (1994 e 2001), A Outra Metade do Coração (CD- antologia poética) e Testamentos (2003). Participou de diversas antologias no Brasil e no exterior, além de publicações em revistas e periódicos. Palestrante e integrante de diversos júris de concursos de poesia. Ex-diretor da União Brasileira dos Escritores - UBE (gestão 1990/92 e 1992/94).



Mary Castilho é poeta, paulista, nasceu na cidade de Elisiário, mas em Catanduva é que foi criada e onde realizou seus estudos. Reside em São Paulo desde 1981. É Professora e Pós-graduanda de Literatura e Língua Portuguesa, além de revisora em diversos segmentos. Em 2005 publicou o livro Cântico dos Destorcidos, com apresentação dos poetas Álvaro Alves de Faria e Mariana Ianelli. Em 2003, teve poema publicado no livro Representações do Feminino, organizado pela professora Maria Inês Ghillard, edição PucCampinas/ Editora Átomo. Tem participado com regularidade de leituras e saraus, entre os quais, o do Centro de Encontro das Artes, organizado pelos poetas Renata Pallottini e Celso de Alencar e o da Galeria Olido, organizado pela Secretaria de Cultura da Cidade de São Paulo.



Osvaldo Rodrigues nasceu em Apucarana (Paraná) e vive em São Paulo desde 1960. Graduou-se em Tecnologia Mecânica pela FATEC-SP. Aos 20 anos teve seus primeiros poemas publicados na "1ª Coletânea de Poesias Inéditas" Ed. Grafik. Livros publicados: "Vôo Singular" (poesia, Ed. Autor-1979), "Mascando Esperanças com Dentes de Vidro" (poesia, Ed. Autor-1983) e "Fôlego", poesia, Ed. Autor-1985. Livros a publicar: "Porque não dois em um", romance de ficção.



Pedro Du Bois (Passo Fundo, RS, 1947) é poeta e contista, residente em Itapema, SC. Diversos livros publicados como editor-autor, artesanalmente, com tiragens mínimas distribuídas entre amigos e amantes da literatura. Vencedor do 4º Prêmio Literário Livraria Asabeça, 2004, com o livro "Os Objetos e as Coisas". Teve publicado, neste ano, pela Corpos Editora, Portugal, o livro "A Criação Estética". Divulgação em diversos blogs e sites literários, entre eles, Germina, Triplo V (e G), Modus Vivendi, Utopoesia, Blocos Online, Projeto Valise, Vale em Versos, Vidráguas. Blog pessoal: http://pedrodubois.blogspot.com/.



Norival Leme Junior (jovem poeta) é formado em Letras pela Universidade de São Paulo e professor da rede particular de ensino. Mantém o blog quiriri.blogspot.com e o www.twitter.com/juniornl. Distribui seus escritos por meio de uma lista de email com a série ::poemas da manhã:: e ::dedo de prosa::



Ronaldo Silva é bailarino e intérprete-criador, formado pela Universidade Anhembi Morumbi – Curso Dança e Movimento. Iniciou estudos em dança na década de 1970 com formação eclética, balé clássico, dança moderna, jazz, sapateado e folclore. Trabalhou com professores e coreógrafos renomados como Ismael Ivo, Marcos Verzani, Luis Ferron, Jorge Pena, Augusto Pompeu, Alonso Barros, Heloaldo Castelo e Silva, Isabelle Dufau, Derek Willians, Jean Marc Collet, Mariana Muniz, entre outros. Desde 1995, é membro da Dance and the Child international e representante regional da daCi na cidade de São Paulo (2000–2003). Formado em Psicoballet pelo Instituto de Psiquiatria e Psicoterapia da Infância e Adolescência. Atualmente atua como intérprete-criador na Cia. de Teatro e Dança Mariana Muniz ("Parangolés" – 2008 e "Nucleares" - 2009)






Escrituras Editora


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quarta-feira, 18 de novembro de 2009

:: Poema

No 1
 
Para Julio Galli
 
curioso, o tatu bola
quando assustado
deita e rola
 
 
 
 
 
num dia de março
o pôr-do-sol fatiado
fez em mim morada
 
 

domingo, 1 de novembro de 2009

:: Poema

Barulho

eco de bigband
jazz primordial
sussuro estelar quem vem na poeira dos dias
está em todo lugar
: solas de sapatos
lágrimas
cabelos
unhas
ancas
tampas
na cal metropolitana
espalha-se naturalmente
expande
continuando a criação do espaço
- talvez isso justificasse tanta saudade -
tantas diferenças e classes
tantos poréns e tantos ais
mas não nos afastemos
estamos onde estamos e a periferia vai
rasga o horizonte empurrando o pôr do sol
por isso lá é quente
verdadeiro
sorrisos e abraços inteiros
cachaça
sonho
pó.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

:: Poema


 
Premonição
 
mesmo figurando entre os primeiros
o beijo era carregado do sabor de distância
 
 
 
  

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

:: Poema



Contacto


a névoa despista e envolve o corpo
deixando todo toque torpe
contraindo músculos e osso




segunda-feira, 21 de setembro de 2009

:: Poemas

I

Sopra forte e sádico
o vento frio da tarde
que molha o feriado



II
Para L.Baptista


Versos no espelho
têm outro sabor
brincam de secretos
se revelando úmidos e discretos
na intimidade do vapor


III


as curvas que escondes
criam em mim outros mapas
sabe lá deus pra onde




:: Poema

Poemeto de consolo

Para Mariana B. Chaves


"as dores são todas iguais"
ainda assim é difícil supor
por que dói tanto em mim
a tua dor

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

::: Conto(?)


I
 
Não raro descia em Sta Cecília. Ficava perto da poesia, de lembranças bêbedas, mirava gérberas e girassóis; de quebra, flertava com o acaso.
 
II
 
Sonhou que amava. Já que amor é confuso como sonho, achou que era real. "Ami só uncê, si iela num quisé! qui amô dium é mió que amô ninhum".

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

::: Conto

I
 
Sentia-se mais tranquilo em dias cinzas e frios. Suava menos, não cerrava os olhos por causa da fotofobia e tinha desculpa para um destilado; nos tempos de fartura, um cabernet sauvignon, com esse agradava também a preta véia que insistia em aprender francês.
 
 

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

:: Poema

Meu lugar

Não reconheço meu bairro
Minhas ruas não me dizem nada
Já não encontro velhos amigos
Meus passos já não deixam lastro
A Igreja. Minha igreja já não é mais minha
O pároco se foi, os crismandos, a legião de maria
A rádio calou, os cantos já não consolam mais
A escola onde estudei, meus professores,
por onde andam meu professores
As quadras, as escadas, as tias, meu diretor, meus colegas
não os vejo mais em mim
Seu Teodoro se foi, o peixeiro não me acorda mais
O volei, o futebol, os balões
tudo ficou pra trás
Agora esse vento
esse raio de luz empoeirado
esse instante pausado que entra pela janela em meu quarto
é saudade
saudade de mim
de meu bairro.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

::: Contos

I
 
A mão no queixo denunciava possível reflexão, bela, intelectualizada, fatal ao sorrir, era sempre um tipo diferente de beleza...
 
II
 
Quando sentava em cima do pé gelado, sentia seu coração, contava os batimentos e julgava sua saúde. Pensava, triste, o que faltava realizar.
 
III
 
Acordei com grande senso de filantropia. Abracei no elevador, sorri no trânsito, distruibui trocados nos cruzamentos e paguei a padaria.
 
IV
 
Buscava abstração ou sublimação, não tinha certeza. Certo era que algo continuava muito errado, mas, de mãos atadas, só alcançava um livro.

domingo, 2 de agosto de 2009

::: Conto (?)


tudo em seu devido lugar: queijos para ratos, poeira para ácaros, papeis para traças.
sentiu-se deslocado, suspirou entediado, mirou a sala e abandonou o quarto.
 

:: Poema


cinza e rosa ao longe
o agora
agoniza no horizonte


:: Poema


silêncio no ocaso ecoa
ontem se faz presente
"tempo que voa"...


sexta-feira, 31 de julho de 2009

::: Conto

Morando longe tinha preguiça de voltar. Nenhum caminho de três possíveis lhe agradava. Já não tinha mais ânima para varar noites e trabalhar direto.
Não dava sorte no amor. O emprego ainda era, mas por um fio. Não tinha mais medo. Pudor ou Receio. Pensava na aposentadoria, faltavam 20 anos, mas sempre lhe cobraram planejamento. Sentia-se progredindo, mesmo contra toda expectativa e análise externa. Pensava, pensava e perguntava-se: o que quero mais? o que preciso mais para ser mais feliz?
Preferiu repensar mais um pouco, para não ser taxado de afobado. Acendeu um cigarro, mirou a ponta, encheu os pulmões e pensou "recapitulando, vamos lá...".

::: Conto

Procurava seu próximo passo no zodíaco. Folha de São Paulo, Metro, MetrôNews ou TVMinuto, antes de desembarcar na Barra-Funda. Decidia, assim, se se apaixonaria naquele dia, caso houvesse oportunidade, ou se assumiria postura racional.
Dizia-se ateu, outra vezes agnóstico, muitas vezes já o ouvi dizendo: "não duvido de nada. respeito todos. mas pra mim, morreu acabou." Tinha formação batista, mas desviara-se do caminho.
Não raro apaixonava-se. Quando não entendia o horóscopo - quase sempre - redobrava sua atenção, mirava todas. Por isso, quando a mensagem era clara, não hesitava.
Certa vez, viu a seguinte previsão: Aproveite, só hoje, sorte no amor e favorecimento no jogo. Animou-se, sua vida mudaria contrariando o mais verdadeiro e antigo ditado popular da humanidade.
Empolgado procurou a lotérica, arriscou sem disciplina alguma as seis dezenas. Já pensava como gastar tanto dinheiro com sua nova namorada, que ainda iria conquistar mais à noite.
Chegou cansado, porém empolgadíssimo com o sucesso que lhe aguardava. Ligou. Reservou uma dúzia e meia de rosas vermelhas argentinas. Buscou e foi entregar.
Sequer foi recebido. Taxado de louco e dispensado através de um torpedo, regressou cabisbaixo. Resolveu voltar a acreditar no ditado popular. Era isso, ficaria rico.
Ao conferir o resultado foi ao bar, encontrou um amigo antigo, divorciado, mas que retornara para esposa naquele dia e tinha ido receber uns trocos que o grupo tinha lhe rendido. Não teve dúvidas, carinhosamente como apenas um homem alcoólico saber ser, abraçou o amigo, beijou-o, disse o quanto lhe gostava e entregou-lhe o buquê rosal, para que a noite de retorno fosse mais temperada e aquecida. Garoava muito. Véu espesso de água descia e prateava a cútis negra.
Até hoje procura seus passos no zodíaco e atribui tal fracasso à nacionalidade das rosas.

terça-feira, 21 de julho de 2009

::: Conto

Os pés gelados, a mão seca, os olhos longe. O silêncio, que terrível é o silêncio. Não há mais ausência, espera, aquele olhar fixo no relógio, angústia também não há.
Tosse, tosse, tosse. Músculos se contraem. Silêncio.



domingo, 12 de julho de 2009

:: Poema

(quando nasce a saudade II)

folhas no chão
horizonte ao longe
marca salobra na face


:: Poema

Da Chuva


Alguns pingos
Sempre as mesmas gotas
Talvez
Sempre a mesma chuva
Fria, densa
Barulhenta e delicada
Ressuscitando fantasmas
Destilada
Simplesmente
Embala
Acalma


segunda-feira, 15 de junho de 2009

:: Poema


"avisa que é de se entregar, o viver"
 
Não sei do que é feita sua carne
Sei que é boa!
Largaria o parco emprego
Esta realidade insossa
E viveria de você
Mesmo porque
Todo o resto
São coisas à-toa

quarta-feira, 13 de maio de 2009

:: Poema

Esboço



O rabiscar de ideias
procura não dizer nada
passeia pela insignificância do traço
[vagueando no espaço
onde cabe tudo
e sem querer fazer
faz
recriando o mundo.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

:: Poema

(quando nasce a saudade)
 
 
 
entardecer de maio
passos pela cidade
carinho de garoa na face.