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terça-feira, 20 de setembro de 2011

:: Poema


esquecer-se
não tem mistério:
hoje nem eu me quero

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

:: Poema



Foto I

sombras, ao contrário do que pensam,
falam do lado claro da vida
gestos e imagens dançam ao sol
:sorrisos
pai e filho desfilam mãos 
sobre o corpo do dia.









--
N.L. Junior

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

:: Poema

Varandavenida

Amarelas
Pretas
Brancas

Coloridas
Manchadas
e

Tingidas Tremulam Frescas

Desinibidas

Aderindo ao Carbono

como

Brisa



:: Poema

Celular
os dedos em transe
trançando letra por letra:
palavras-palavras


quinta-feira, 28 de julho de 2011

:: Poema


pow pow pow
martelos e marretas avulsas
saltam sobre cabeças e ilusões rachadas


terça-feira, 26 de julho de 2011

:: Poema


qualquer coisa
entre o vácuo e o vazio
é o terreno que me habita

terça-feira, 17 de maio de 2011

:: Poema


AUTOR - RE - TRATO

*Ao Laércio, com vergonha, em memória

"E o que me importa, esta dor feito faca no peito
Ninguém mais arranca, ninguém mais da jeito"
- Gonzaguinha -



Nem intelectual de fato
Nem malandro o suficiente

Sou aquele tipo de Idiota Ideal

: incapaz de incomodar

para além de um poema mal-feito





terça-feira, 10 de maio de 2011

:: Poema


roupas no varal
risos, rachaduras, quintal
esmaecer da vida: noite

segunda-feira, 11 de abril de 2011

:: Poema


[ Luzes ]

contam segredos

[ janelas ]

longe de qualquer alma

[ revelam ]

todo-o-pouco

pintando amarelos no vazio

da
[ noite ]

:: Poema

nenhum verso consola o peito
que ausculta o piso

frio ou

olhar rumo ao vazio iluminado oculto

acortinado

véu esconderijo

vivo

espectros de seres frígidos

sóbrios ou

sombrios

ilusão redentora oca

dura demais

pra que se engula

pra que se fique na boca.



quarta-feira, 19 de janeiro de 2011


Para Valéria

galhocadeirabalanço
pássaro embala eu
: espanto


domingo, 9 de janeiro de 2011

:: Poema

Um cogumelo nasceu
Ali
num canto escuro-úmido

triste

Em poucas horas
(sem que fosse notado)
fez-se altivo

Se eu fosse poeta
(tal qual Gullar ou Zé Paulo Paes)

descreveria todo seu ciclo de modo
que forma e conteúdo seriam

o próprio

Como estas mãos não fazem versos
(não sabem)
fica este débil registro

(encanto)

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

:: Poema

II
azia rima com poesia
que
às vezes
é antiácida
outras
corrosiva
Não há dor que caiba na poesia
mas
se não nela
onde caberia?

:: Poema

Nunca achei trem
ou
metrô
matéria de poesia
mesmo porque
em horário de pico
só se fosse haicai
ou
pílula
se não
não caberia

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

:: Poema

como eu queria agora um cafe forte de coador
ver a água ferver, escurecer e escorrer
fazer cara feia sem sentir dor
limpar a boca com as costas das mãos e com desprezo
estalar os lábios: menos satisfação e mais torpor

queria agora um café forte de coador
buscando sinestesicamente teus sabores
cinicamente minhas dores
descobrir pelos cantos da casa seu odor

um café forte de coador
com aquele cheiro só seu
todo açucarado, melado
cheio de cristais

cafezinho forte de coador
sem motor, sem barulho, sem pressa: só fervor.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

:: Poema

- Sem título -

Guarde o desespero
O surto
O GRITO
Guarde tudo isso para depois.
Espere o silêncio
...
Mas não se iluda em prendê-lo
Que paz verdadeira não se tem nessa vida
E a utopia é combustível invisível nos teus pulmões
Não desperdice assim a insanidade
Munição tão cara não se joga fora
Alimente-se do trânsito
do aperto
do transe
da espera
das dores
da inveja
Tudo isso fortalece
E o teu trabalho, acredite, enobrece
Não adianta clamar
Todo ruído é feito de clamor
Teu piso é pedra
Teu riso é pedra
Tua cartilagem é de pedra
E a pedra dura porque é muda
Discreta: fortaleza de fragmento de terra.
Guarde o desespero
O surto
O GRITO
Guarde tudo isso para depois.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Evento


Olá!

Alguns versos meus foram incluídos numa produção da 127FUNDOS Cia. de Teatro que será exibida no próximo dia 18/09/2010 - 18h - no SESC IPIRANGA.

Após a apresentação, haverá um rápido bate-papo com os poetas.

Todos são muito bem vindos!


Saudações,
N. L. Junior


sexta-feira, 20 de agosto de 2010

:: Poema

desencontro
:seus pontos
em outra reta.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

:: Poema

DECLARAÇÃO


É você
mesmo que tardio
meu estalo
meu clichê
obviedade de minha confusão
É você
minha catacrese
meu ritmo acelarado
minha melopeia
É você
meu ato sem ação
minha insônia
meu riso amarelo
meu motivo de reclamação
É você
alegria que entristece
meu maior presente
manhã que me anoitece
É você
meu abono legítimo
meu algo no vazio
nascente da minha alegria
meu rio
É você
meu arroz caseiro
meu fuba com erva doce
doce de leite mineiro
É você
minha sombra
minha brisa
minha tapioca exagerada de Iracema
meu pôr do sol em Fortaleza
É você
sem dúvida
calor e calafrio
meu melhor estalo
mesmo que tardio.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

:: Poema

Tenho livros que jamais lerei
não raro perco a fé nos estudos
depois volto a eles como se fossem a única saída
vozes cruzam minha cabeça sem que as distingua
sem que as ouça de fato
são ônibus e motos de escapementos abertos
transitando entre os espaços que separam meus neurônios
mesmo no estado de sono não me recomponho
eu sou caos ao acordar
sou dor
desespero
um rascunho
versos soltos num guardanapo amaçado
poema incompleto que anda