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terça-feira, 17 de maio de 2011

:: Poema


AUTOR - RE - TRATO

*Ao Laércio, com vergonha, em memória

"E o que me importa, esta dor feito faca no peito
Ninguém mais arranca, ninguém mais da jeito"
- Gonzaguinha -



Nem intelectual de fato
Nem malandro o suficiente

Sou aquele tipo de Idiota Ideal

: incapaz de incomodar

para além de um poema mal-feito





terça-feira, 18 de novembro de 2008

: Texto


Violências:


Não se pode ler qualquer jornal sem mirar, mesmo que se tente fugir, uma chamada que relate algum ato violento, atroz.

A violência é fruto do dia-a-dia, às vezes, de pessoas que jamais poderíamos esperar. Não admira que cada vez mais se queira o isolamento, tendo ou não pessoas por perto, fecham-se os olhos e finge-se que nada acontece ao redor.

Certa vez, chateado com acontecimento muito pessoal, fui a um bar em que geralmente me escoro para esperar alguém, passar o tempo, nesse dia, fui ver um jogo.

Ao chegar já estava 2x0 para o time do Morumbi, quando ouvi alguns gritos e pedidos de socorro vindos de um ponto de táxi ao lado do bar, de início ignorei, pois havia pessoas do lado de fora que sequer viraram o rosto para o lado donde vinham os gritos. Na insistência desses, resolvi olhar melhor, me levantei e vi dois senhores trocando socos e chutes com uma mulher tentando, inutilmente, separá-los: caíra naquele instante ao ser atingida por um soco. Fui até lá, um tranco e outro depois, alguns garçons me ajudaram e, enfim, a luta terminou. Achei estranha a indiferença de tantos, simplesmente, ignorando o fato.

No último final de semana, novamente num bar, mas este já um barzinho, também estranhei a inatividade de tantos ao verem um freqüentador, de modo abusivo, se dirigir várias vezes à sua companheira, numa dessas cenas, ao chocar-se contra minha infeliz presença, eu o toquei, querendo dizer: não foi nada alemão; razão suficiente para ter sido "apavorado" pelo cidadão. Enquanto me desculpava por nada, lembrava da passividade não só do relato acima, mas também de outros: cenas de trânsito, coletivos, fatos cotidianos, que qualquer um que ande pela cidade, e não se faça de cego, pode presenciar.

Durante esses minutos reflexivos, lamentava profundamente o que ouvia, não por mim apenas, e sim por quem os falava, para outros que ouviam e por mais um ou dois que riam. Esses últimos tão pobres quanto quem falava.

Não violência gera não violência. Penso, respiro e leio poesia. De certo modo, pratico poesia, uma vez que acredito em gestos poéticos – inclusive título de um livro de Rubem Alves sobre Gandhi.

Tive remorso só de pensar em reagir. Com isso descobri algo: sou praticamente incapaz de violência. Espero continuar assim, entretanto, espero também não entrar para o clube do "não tenho nada com isso".


Paz e Bem!