Mostrando postagens com marcador Prosa. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Prosa. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 8 de abril de 2010

::: Conto (?)


"Não vou tocá-la. Meu tato é limitado. Meus olhos te tem inteira."


::: Conto (?)


"De manhã meu corpo era um rascunho caótico do seu."


::: Conto (?)

Gostava de vê-la nua esperando o amanhecer na janela, fingia dormir,mas observava-a.
Se existisse alguma verdade, pareceria com ela nua, esperando o amanhecer na janela.





sábado, 3 de abril de 2010

::: Conto

Fernanda foi assim: se apresentou, jantou, bebeu umas e outras. Mostrou que tudo é vontade, questão de querer ou não fazer. Quando parecia que ia ficar, partiu.
Alguns sorrisos e abraços, depois, partiu. Não deixou explicações nem desculpas, apenas uma lição, um vídeo e uma saudade que não cabe em 7 letras.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

: Texto

Dias desses me pego deitado em minha cama, pronto para desabar em sono até o dia seguinte que viria logo, nada demais se eu não estivesse involuntariamente ou inconscientemente deitado da metade para baixo, ou seja, com pelo menos metade das pernas para fora cama.

Assim que o ato falho foi percebido, todos os problemas que circundam a cabeça de alguém que dorme hoje pensando no que fazer amanhã desapareceram, o que permitiu uma autoanálise quase que imediata.

A idéia de compensação imaginária foi a primeira a surgir, e confesso que ainda agora enquanto escrevo, dias depois, não foi completamente descartada; não fica atrás a de projeção, mero ato falho e, claro, coincidência.

Certo é que teve efeitos, um dos quais essa crônica é conseqüência, além de outros que não se revela em algo a ser publicado, mesmo porque, tudo já foi dito e resultou inútil, como qualquer poema.

Interessante saber que, ao contrário do que se imagina, é possível romper o bloqueio natural ora vigente de modo involuntário, embora ressalva seja feita, não é comum.


sexta-feira, 31 de julho de 2009

::: Conto

Morando longe tinha preguiça de voltar. Nenhum caminho de três possíveis lhe agradava. Já não tinha mais ânima para varar noites e trabalhar direto.
Não dava sorte no amor. O emprego ainda era, mas por um fio. Não tinha mais medo. Pudor ou Receio. Pensava na aposentadoria, faltavam 20 anos, mas sempre lhe cobraram planejamento. Sentia-se progredindo, mesmo contra toda expectativa e análise externa. Pensava, pensava e perguntava-se: o que quero mais? o que preciso mais para ser mais feliz?
Preferiu repensar mais um pouco, para não ser taxado de afobado. Acendeu um cigarro, mirou a ponta, encheu os pulmões e pensou "recapitulando, vamos lá...".

::: Conto

Procurava seu próximo passo no zodíaco. Folha de São Paulo, Metro, MetrôNews ou TVMinuto, antes de desembarcar na Barra-Funda. Decidia, assim, se se apaixonaria naquele dia, caso houvesse oportunidade, ou se assumiria postura racional.
Dizia-se ateu, outra vezes agnóstico, muitas vezes já o ouvi dizendo: "não duvido de nada. respeito todos. mas pra mim, morreu acabou." Tinha formação batista, mas desviara-se do caminho.
Não raro apaixonava-se. Quando não entendia o horóscopo - quase sempre - redobrava sua atenção, mirava todas. Por isso, quando a mensagem era clara, não hesitava.
Certa vez, viu a seguinte previsão: Aproveite, só hoje, sorte no amor e favorecimento no jogo. Animou-se, sua vida mudaria contrariando o mais verdadeiro e antigo ditado popular da humanidade.
Empolgado procurou a lotérica, arriscou sem disciplina alguma as seis dezenas. Já pensava como gastar tanto dinheiro com sua nova namorada, que ainda iria conquistar mais à noite.
Chegou cansado, porém empolgadíssimo com o sucesso que lhe aguardava. Ligou. Reservou uma dúzia e meia de rosas vermelhas argentinas. Buscou e foi entregar.
Sequer foi recebido. Taxado de louco e dispensado através de um torpedo, regressou cabisbaixo. Resolveu voltar a acreditar no ditado popular. Era isso, ficaria rico.
Ao conferir o resultado foi ao bar, encontrou um amigo antigo, divorciado, mas que retornara para esposa naquele dia e tinha ido receber uns trocos que o grupo tinha lhe rendido. Não teve dúvidas, carinhosamente como apenas um homem alcoólico saber ser, abraçou o amigo, beijou-o, disse o quanto lhe gostava e entregou-lhe o buquê rosal, para que a noite de retorno fosse mais temperada e aquecida. Garoava muito. Véu espesso de água descia e prateava a cútis negra.
Até hoje procura seus passos no zodíaco e atribui tal fracasso à nacionalidade das rosas.

segunda-feira, 16 de março de 2009

: Texto

A experiência é infinita, nunca paramos de aprender, assimilar e sedimentar algum tipo de conhecimento: somos seres culturais. Isso me parece obvio e quase incontestável.

De certo modo, com a afirmação acima, espero deixar claro que não me julgo alguém pronto, acabado ou dono de toda sabedoria mundana.

Entretanto, creio já ter vivido o suficiente em anos e em situações para tecer algumas considerações sobre um dia de trabalho.

Certa vez, ao substituir uma colega numa sala de 1º ano do ensino médio, deparei-me com uma realidade triste, não absurda, apenas triste.

Adolescentes de no máximo 16 anos simplesmente ignoravam minha presença, era como se realmente eu não estivesse ali; decidi não gritar, não autorizar saídas da sala e me neguei a atender solicitações individuais enquanto não pudesse falar com todos e contextualizar minha presença e objetivo. Alguns me diziam: "Professor, dá um grito"; "Se você não berrar, não adianta"; "Vixi professor, você vai ficar aí até amanhã". Continuei em silêncio.

Não acredito no respeito automático por parte deles – algo como só o avental me garante -, mas acredito no respeito ao outro ser humano que divide o mesmo espaço que você, no respeito a quem vai lhe falar algo e você primeiro ouve para depois contestar, e, principalmente, no respeito a quem está trabalhando: seja porteiro, bedel, faxineiro ou professor. A falta de respeito à pessoa, ao outro que lhe é semelhante me entristece sobremaneira.

O comportamento em sala de aula não é exclusivo daquele espaço, os vejo no shopping, na rua, os pais reclamam do comportamento, há uma minoria de alunos sofrendo bulling (?) e colegas professores nos trazem relatos cada vez mais tristes e desanimadores. Talvez sejam apenas coisas da idade, mas se não tiverem limites e aprenderem a respeitar as pessoas agora, quando aprenderão?

A imaturidade os impede de fazerem uso de instrumentos conhecidíssimos como o grêmio escolar, ou qualquer outra associação, para subverterem e melhorarem um tipo de ensino que não os agrada. Apenas se formam mal e causam muito, muito transtorno.

Não fosse nada não me entristeceria tanto, contudo, sendo filhos de quem são, podendo o que podem, esses serão os chefes, os empresários de amanhã – muito provavelmente alguns serão também políticos, afinal de contas, são parte de uma das elites que vivem em terras brasilinas.

Penso e ouço dizer que estamos em transição, numa fase em que nos remodelamos enquanto sociedade e que isso implica em perda, ou melhor, em transformação de valores - confesso ser difícil apontar vilões e vítimas: quem sabe somos todos, em certo grau, mocinh@s e bandid@s – porém não consigo disfarçar minha tristeza, saí completamente arrasado da sala, tão ignorado quanto antes. Pela primeira vez pensei em desistir. Espero seja só vaidade.