Perfil
Para um retrato em especial
linhas e traços
compõem o mistério
ambíguo do belo
Arquivo digital para meus textos, independente do gênero.
Eu e a insônia
Não sei bem o motivo, mas algumas noites simplesmente parecem impossíveis de serem aproveitadas pelo sono, apenas não durmo, fico aceso como se pudesse normalmente trabalhar, conversar, estudar – como se fosse dia.
O único problema é justamente o dia, o dia seguinte. Minhas maquinações noturnas além de me deixar em péssimo estado, não pagam contas: triste afirmação.
Uma vida condicionada às contas, ao mínimo de dignidade, parece automaticamente excluir devaneios noturnos, experiências poéticas que não irão aflorar meio-dia, reflexões despertas por uma mente inquieta ou por situações sociais rotineiras, mas que incomodam – a intenção talvez seja esta, não permitir que pensemos, que tenhamos tempo para a sensibilidade natural e espontânea.
Minha pequena teoria conspiratória pode facilmente ser confundida com idéias de um vagabundo, preguiçoso, pisciano solitário com a cabeça no mundo da lua, talvez seja isso sim, talvez...inclusive por isso, parece ter todo o sentido.
Algumas reflexões e homenagem a um ex-solteiro...
Não raro ouço reclamações, casos e "causos" sobre expectativas frustradas em namoros e casamentos – eu mesmo tenho alguns –, mas tentarei ser mais amplo.
Hoje acordei com meu Pai falando alto, me propus a escutar para saber qual era a dificuldade matinal do velho, pois não havia necessariamente uma, ele apenas se declarava à minha Mãe, como de praxe, só que desta vez com maior humor e extensão.
São quase 40 anos de casamento, 4 filhos e 5 netos. Olho isso com um pouco de distância e fico impressionado. As dificuldades não cessaram desde o início, entretanto digo com certeza que o amor é maior. Se acumulam frustrações? Acho que sim. Se são felizes? Com certeza.
Mais do que amar as qualidades, uma vez que isso não é nenhum sacrifício, vejo hoje que o mais importante após conhecer seu parceiro ou parceira é amar também seus "defeitos". Não os corrigíveis e que cederão, transformarão ou simplesmente desaparecerão com o tempo e maturidade, digo, principalmente, os que não irão embora, aqueles com probabilidade de piora, inclusive.
Vejo isso ao observar casais felizes e próximos a mim. Futebol, videogame, música, cervejadas ou academias: esses casais não simplesmente chegaram a um meio-termo, eles se aceitaram por completo sendo um já antes de casarem. Brigam, reclamam das famílias, choram como todo casal, contudo carregam um brilho no olhar diferente, são realmente felizes!
Vejo isso nos meus Pais, vejo isso num amigo-irmão que se casará em breve, e em outros poucos casais. Talvez cometa agora certa injustiça com tantos outros casais que conheço, mas naturalmente felizes conto-os em uma única mão e as semelhanças são nítidas.
Tolerância é bom, mas aceitação é gesto de amor, sempre seguido de compaixão, acolhimento, fraternidade e sacrifício.
Não sou profeta do amor, essa receita não é passível de cópia, cada casal, família, grupo social tem de encontrar a sua, já vi caras-metades se separarem antes e depois do casamento porque ilusões, estereótipos ou algo do gênero não deram vez à compreensão mutua, à caridade, logo, não houve aceitação.
Espero que este próximo casamento seja fonte de muita alegria e vitória a 2, 3, 4...no mínimo como a história do primeiro casal citado. E, claro, desejo isso aos demais casais sem distinção.
Termino dando voz a um adesivo que tive a oportunidade de ler muitas vezes, um grande lugar-comum, mas verdadeiro: "o ato de amar é eterno..."
Por sorte ou designo, sempre agreguei pessoas com essa característica – nas letras, informática e agora em todas as disciplinas.
Talvez o que se diga aqui seja algo óbvio, mas descobri maravilhado ao longo dos últimos seis meses que a física, a química, assim como outros campos do conhecimento, não só fazem parte do cotidiano, como também são próximos e realmente interligados.
Assim como os primeiros citados vivem a linguagem, a poesia e língua portuguesa, esses últimos são intensamente movidos por seus conteúdos e conseguem fazê-los conviver de modo empolgante, por quase todo o tempo.
Entre uma conversa de história e geopolítica, o físico e químico complementam as informações sobre a segunda grande guerra ao exporem seus conhecimentos atômicos.
Enquanto isso, personas da matemática elogiam C.D.A. ao mestre de língua portuguesa, que tem outras professoras discutindo balé com a graduada em física – menção honrosa em balé num concurso universitário em sua época de faculdade.
Muito se falava em minha casa, sobre as boas ou más influências das companhias, tenho certeza de que as que tive a partir de 2001, claro que antes também, entretanto, principalmente as que tive depois desse ano – no crisma, na antiga FAI e posteriormente na USP – foram fundamentais para a situação existente hoje.
Impossível prever o futuro, contudo não é vedada a possibilidade de sonhar, assim, espero daqui a 30 anos, ter o privilégio de repetir as palavras do mais experiente da seleção aqui homenageada: "às favas a modéstia, eu joguei num puta time".
Assim termina o artigo "Diversidade e cidadania", assinado pelo governador José Serra e Linara Rizzo Battistella, secretária estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência, publicado na FSP quarta-feira (03), na seção Tendências e Debates. O texto trata das dificuldades, e, principalmente, dos avanços em relação à inclusão de portadores de deficiência dentro do cotidiano social, não só em relação à saúde, como também a outros bens e serviços.
Após assumirem que "as tendências à desigualdade e a lentidão das mudanças impõe estratégias muito determinadas para garantir os avanços mínimos aos setores mais vulneráveis da sociedade", são apresentados alguns passos dados na direção de garantir esses direitos, todos eles tomados pelo Sr. José Serra, seja como ministro, prefeito ou governador, os quais, sem dúvida, agregaram e agregarão de modo positivo rumo a uma sociedade inclusiva, de fato e de direito.
Contudo, quero aqui lembrar que a distância para tais soluções tem de ser ressaltada, mesmo que essa distância seja muito próxima da maioria dos portadores de necessidade, creio eu, em todo país.
Restringindo ao estado de São Paulo e à capital especificamente, temos um cenário desolador. Nossa periferia e também "bairros centrais", não estão preparados para cidadãos portadores de alguma necessidade especial. Ainda que seja louvável a marcação feita para cegos nas estações do metrô, e as menos caprichadas feitas na rua pela prefeitura, não temos sequer calçadas (passeio público) que permitam cadeirantes ou pessoas com dificuldades de locomoção – idosos e outros – irem e virem com autonomia. Posso estar enganado, mas muitas ruas são recapiadas e poucas calçadas niveladas ou reformadas.
A reforma feita nas calçadas da Av. Paulista, em minha opinião, facilitam e muito o tráfego de todos.
Não sei ao certo o que cada sub-prefeitura pode ou não fazer em termos arquitetônicos, sempre com um orçamento abaixo do necessário, desculpas são fáceis de aparecer para justificar a omissão clara do poder público. Alguém que goze de perfeitas condições enfrenta dificuldades, imagine pessoas que têm alguma debilidade.
Ao invés de fazer auto-promoção, mesmo que discreta, governantes deveriam chegar mais perto do problema, em todas suas esferas, algo que recomendo ao governador e sua secretária, levem consigo o de urbanismo da prefeitura, e enfrentem de fato a questão. Se padronizarmos ao máximo nossas cidades aos portadores de necessidades especiais, todos desfrutaremos dos benefícios – além das calçadas, banheiros, transporte público, rede de saúde especializada, prédios, poderíamos começar também por uma real capacitação dos professores, pois está aí, novamente, o início de algo justo pro futuro.
Comemoremos os avanços, mas não nos esqueçamos das coisas mais simples, das quais não seria preciso fazer propaganda.
MARINA
És mar intátil
De sonhos esféricos e prateados
Ondulados pela maré de Marina
Senhora moça
Condutora de almas afogadas
Em noites frias
Noites sem mar
Sem Marina
Sem a inútil ilusão
De um dia se afogar
Sem mar
Em Marina
Já tinham me ocorrido alguns pensamentos em reação ao socorro bancário feito pelos governos no mundo inteiro, quando isso efetivou-se no Brasil e depois a montadoras e (Nossa Caixa), fiquei ligeiramente indignado: meu exercício de não me estressar ao máximo tem dado certo.
Ora vejamos, o que não falta nesse mundo é gente refugiada passando fome, sem condições mínimas de uma vida razoavelmente digna. Claro que falo aqui de África, Oriente-Médio, América Central e também dos que mesmo em países um pouco ou muitos desenvolvidos têm subvida.
Cansei de ver chamadas na mídia que anunciavam recorde de lucro aos bancos e que nunca havia sido tanto; e vendas de carros então, nem se fala: Viva Lula!
Poderia me estender ao infinito neste texto, mas me recuso e pergunto: O Governo não é tão sem dinheiro pra melhorar saúde, saneamento básico e educação? E como tem pra ajudar bancos e montadoras? – Eles realmente precisam?
Sem dúvida alguma, economistas brasileiros e britânicos me explicariam – provavelmente até me convenceriam – só que estou farto de explicações.
Recomendo a leitura do artigo do Clovis Rossi, na Folha de SP de 13/11/08 – Muito mais sutil e interessante.