Mostrando postagens com marcador Crônica. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Crônica. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

: Texto

Eu e a insônia

Não sei bem o motivo, mas algumas noites simplesmente parecem impossíveis de serem aproveitadas pelo sono, apenas não durmo, fico aceso como se pudesse normalmente trabalhar, conversar, estudar – como se fosse dia.

O único problema é justamente o dia, o dia seguinte. Minhas maquinações noturnas além de me deixar em péssimo estado, não pagam contas: triste afirmação.

Uma vida condicionada às contas, ao mínimo de dignidade, parece automaticamente excluir devaneios noturnos, experiências poéticas que não irão aflorar meio-dia, reflexões despertas por uma mente inquieta ou por situações sociais rotineiras, mas que incomodam – a intenção talvez seja esta, não permitir que pensemos, que tenhamos tempo para a sensibilidade natural e espontânea.

Minha pequena teoria conspiratória pode facilmente ser confundida com idéias de um vagabundo, preguiçoso, pisciano solitário com a cabeça no mundo da lua, talvez seja isso sim, talvez...inclusive por isso, parece ter todo o sentido.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

: Texto

Algumas reflexões e homenagem a um ex-solteiro...

Não raro ouço reclamações, casos e "causos" sobre expectativas frustradas em namoros e casamentos – eu mesmo tenho alguns –, mas tentarei ser mais amplo.

Hoje acordei com meu Pai falando alto, me propus a escutar para saber qual era a dificuldade matinal do velho, pois não havia necessariamente uma, ele apenas se declarava à minha Mãe, como de praxe, só que desta vez com maior humor e extensão.

São quase 40 anos de casamento, 4 filhos e 5 netos. Olho isso com um pouco de distância e fico impressionado. As dificuldades não cessaram desde o início, entretanto digo com certeza que o amor é maior. Se acumulam frustrações? Acho que sim. Se são felizes? Com certeza.

Mais do que amar as qualidades, uma vez que isso não é nenhum sacrifício, vejo hoje que o mais importante após conhecer seu parceiro ou parceira é amar também seus "defeitos". Não os corrigíveis e que cederão, transformarão ou simplesmente desaparecerão com o tempo e maturidade, digo, principalmente, os que não irão embora, aqueles com probabilidade de piora, inclusive.

Vejo isso ao observar casais felizes e próximos a mim. Futebol, videogame, música, cervejadas ou academias: esses casais não simplesmente chegaram a um meio-termo, eles se aceitaram por completo sendo um já antes de casarem. Brigam, reclamam das famílias, choram como todo casal, contudo carregam um brilho no olhar diferente, são realmente felizes!

Vejo isso nos meus Pais, vejo isso num amigo-irmão que se casará em breve, e em outros poucos casais. Talvez cometa agora certa injustiça com tantos outros casais que conheço, mas naturalmente felizes conto-os em uma única mão e as semelhanças são nítidas.

Tolerância é bom, mas aceitação é gesto de amor, sempre seguido de compaixão, acolhimento, fraternidade e sacrifício.

Não sou profeta do amor, essa receita não é passível de cópia, cada casal, família, grupo social tem de encontrar a sua, já vi caras-metades se separarem antes e depois do casamento porque ilusões, estereótipos ou algo do gênero não deram vez à compreensão mutua, à caridade, logo, não houve aceitação.

Espero que este próximo casamento seja fonte de muita alegria e vitória a 2, 3, 4...no mínimo como a história do primeiro casal citado. E, claro, desejo isso aos demais casais sem distinção.

Termino dando voz a um adesivo que tive a oportunidade de ler muitas vezes, um grande lugar-comum, mas verdadeiro: "o ato de amar é eterno..."

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

: Texto

Onde fui parar...?
Há alguns anos, desde 2001 para ser mais exato, tenho o prazer de conviver com pessoas que incorporam no dia-a-dia seu objeto estudado e, de certa forma, são mais eles-mesmos a partir dessa vivência.

Por sorte ou designo, sempre agreguei pessoas com essa característica – nas letras, informática e agora em todas as disciplinas.

Talvez o que se diga aqui seja algo óbvio, mas descobri maravilhado ao longo dos últimos seis meses que a física, a química, assim como outros campos do conhecimento, não só fazem parte do cotidiano, como também são próximos e realmente interligados.

Assim como os primeiros citados vivem a linguagem, a poesia e língua portuguesa, esses últimos são intensamente movidos por seus conteúdos e conseguem fazê-los conviver de modo empolgante, por quase todo o tempo.

Entre uma conversa de história e geopolítica, o físico e químico complementam as informações sobre a segunda grande guerra ao exporem seus conhecimentos atômicos.

Enquanto isso, personas da matemática elogiam C.D.A. ao mestre de língua portuguesa, que tem outras professoras discutindo balé com a graduada em física – menção honrosa em balé num concurso universitário em sua época de faculdade.

Muito se falava em minha casa, sobre as boas ou más influências das companhias, tenho certeza de que as que tive a partir de 2001, claro que antes também, entretanto, principalmente as que tive depois desse ano – no crisma, na antiga FAI e posteriormente na USP – foram fundamentais para a situação existente hoje.

Impossível prever o futuro, contudo não é vedada a possibilidade de sonhar, assim, espero daqui a 30 anos, ter o privilégio de repetir as palavras do mais experiente da seleção aqui homenageada: "às favas a modéstia, eu joguei num puta time".

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

: Texto

RESPOSTA AO ARTIGO DE JOSÉ SERRA

"O acesso igualitário aos serviços, à tecnologia, ao mercado de trabalho e à garantia da integralidade na saúde, na educação e na moradia acessível não é um favor: é um direito."

Assim termina o artigo "Diversidade e cidadania", assinado pelo governador José Serra e Linara Rizzo Battistella, secretária estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência, publicado na FSP quarta-feira (03), na seção Tendências e Debates. O texto trata das dificuldades, e, principalmente, dos avanços em relação à inclusão de portadores de deficiência dentro do cotidiano social, não só em relação à saúde, como também a outros bens e serviços.

Após assumirem que "as tendências à desigualdade e a lentidão das mudanças impõe estratégias muito determinadas para garantir os avanços mínimos aos setores mais vulneráveis da sociedade", são apresentados alguns passos dados na direção de garantir esses direitos, todos eles tomados pelo Sr. José Serra, seja como ministro, prefeito ou governador, os quais, sem dúvida, agregaram e agregarão de modo positivo rumo a uma sociedade inclusiva, de fato e de direito.

Contudo, quero aqui lembrar que a distância para tais soluções tem de ser ressaltada, mesmo que essa distância seja muito próxima da maioria dos portadores de necessidade, creio eu, em todo país.

Restringindo ao estado de São Paulo e à capital especificamente, temos um cenário desolador. Nossa periferia e também "bairros centrais", não estão preparados para cidadãos portadores de alguma necessidade especial. Ainda que seja louvável a marcação feita para cegos nas estações do metrô, e as menos caprichadas feitas na rua pela prefeitura, não temos sequer calçadas (passeio público) que permitam cadeirantes ou pessoas com dificuldades de locomoção – idosos e outros – irem e virem com autonomia. Posso estar enganado, mas muitas ruas são recapiadas e poucas calçadas niveladas ou reformadas.

A reforma feita nas calçadas da Av. Paulista, em minha opinião, facilitam e muito o tráfego de todos.

Não sei ao certo o que cada sub-prefeitura pode ou não fazer em termos arquitetônicos, sempre com um orçamento abaixo do necessário, desculpas são fáceis de aparecer para justificar a omissão clara do poder público. Alguém que goze de perfeitas condições enfrenta dificuldades, imagine pessoas que têm alguma debilidade.

Ao invés de fazer auto-promoção, mesmo que discreta, governantes deveriam chegar mais perto do problema, em todas suas esferas, algo que recomendo ao governador e sua secretária, levem consigo o de urbanismo da prefeitura, e enfrentem de fato a questão. Se padronizarmos ao máximo nossas cidades aos portadores de necessidades especiais, todos desfrutaremos dos benefícios – além das calçadas, banheiros, transporte público, rede de saúde especializada, prédios, poderíamos começar também por uma real capacitação dos professores, pois está aí, novamente, o início de algo justo pro futuro.

Comemoremos os avanços, mas não nos esqueçamos das coisas mais simples, das quais não seria preciso fazer propaganda.


quinta-feira, 13 de novembro de 2008

: Texto

Já tinham me ocorrido alguns pensamentos em reação ao socorro bancário feito pelos governos no mundo inteiro, quando isso efetivou-se no Brasil e depois a montadoras e (Nossa Caixa), fiquei ligeiramente indignado: meu exercício de não me estressar ao máximo tem dado certo.

Ora vejamos, o que não falta nesse mundo é gente refugiada passando fome, sem condições mínimas de uma vida razoavelmente digna. Claro que falo aqui de África, Oriente-Médio, América Central e também dos que mesmo em países um pouco ou muitos desenvolvidos têm subvida.

Cansei de ver chamadas na mídia que anunciavam recorde de lucro aos bancos e que nunca havia sido tanto; e vendas de carros então, nem se fala: Viva Lula!

Poderia me estender ao infinito neste texto, mas me recuso e pergunto: O Governo não é tão sem dinheiro pra melhorar saúde, saneamento básico e educação? E como tem pra ajudar bancos e montadoras? – Eles realmente precisam?

Sem dúvida alguma, economistas brasileiros e britânicos me explicariam – provavelmente até me convenceriam – só que estou farto de explicações.

Recomendo a leitura do artigo do Clovis Rossi, na Folha de SP de 13/11/08 – Muito mais sutil e interessante.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

: Texto

Poucos anos vividos, é o que me dizem alguns. Falas pelos cotovelos é o que dizem outros. Mas, principalmente, mais do que imaginam, escuto.
Sejam as histórias de irmãos e primos mais velhos, já que sou caçula de quatro filhos e oito netos, ou conversas alheias em trem, metrô, ônibus e filas – adoro os coletivos por isso – busco sempre ouvir, escutar e apreender algo.
Não há forma melhor de minimizar um problema do que comparar-se a alguém numa situação pior, embora, às vezes, possa parecer maldade. Independente disso, acho que escrevemos diariamente pequenas lições que de um modo ou de outro merecem ser compartilhadas, mesmo que tenham este fim: servir de comparação minimalista a outros viventes.
Sinto hoje saudades de um molho de macarrão, de uma bronca, risada, carne com batatas. Também me vem ao peito a falta de um abraço em específico, de um arroz verde, de mil outras receitas, e, claro, ser acordado pelo beijo, olhar e sorriso. Nunca mais os terei como já tive.
Aparece-me agora, vejam só, uma situação de perda certa – seis meses, um ano, talvez mais...mas quanto?
Certo é que existe um ziguezague constante nesta vida e é preciso contorná-lo, fazer o traçado, queira ou não. Preparados? Não, ninguém o está de fato – sempre derramaremos lágrimas e teremos ombros à nossa espera dizendo: Sabe, soube de uma história que...

terça-feira, 25 de março de 2008

: Texto

“_ Feliz Páscoa!” Essa fala ou esse “desejo” me pegou de sobre-salto na manhã de domingo.
Não que eu não seja deste planeta, mas essa expressão soou surreal para mim.
Minha formação é completamente católica, só não estudei em colégio de freiras por falta de condições econômicas, sendo eu o caçula de quatro filhos. Mesmo assim fui criado dentro da igreja: missas, encontro nas casas, novenas, Batismo, 1ª comunhão e crisma: fui até ministro de exéquias.
Minha adolescência foi entre missas, reuniões da Legio Mariae, P.J. e demais movimentos e pastorais.
Hoje, muitas léguas distante de minha fé, continuo carregando uma mais simples que é a de acreditar nas pessoas. Mas isso é assunto para outro texto.
Voltando ao assalto do “Feliz Páscoa!”, me pergunto o porquê da minha própria surpresa?
A expressão não ecoou, não reverberou em mim - mais do que o nascimento, a ressurreição é para o cristão o Maior Milagre, a Maior Festa.
Daí então toda minha reflexão e dúvida: Não sou mais um cristão?
Não sei responder, porém é claro que hoje ainda sou levemente ligado à Igreja por amigos, situações e lembranças, mas de fato não sei se professo uma fé.
A ideia de Igreja hoje vem carregada de uma série de maus-pensamentos: manipulação, falsidade, interesses e etc. Claro que caridade, compaixão, e correlatos também vêm, mas em segundo lugar.
Como instituição social, lugar onde pessoas se reúnem, organizam e realizam coisas, ela ainda é um lugar indispensável: Pastoral da Criança, EJA, Vicentinos, Damas da Caridade, CEBs (as que sobraram), e outros como o MICC, por exemplo, salvam o dia, entretanto, é nítido que como lugar de salvação das almas esta Igreja tem perdido espaço, principalmente para pentecostais, além das demais crenças e seitas.
Seja como for, se eu estiver errado sobre minhas ideias ateias ou agnósticas, melhor pra mim e para todos nós. Por outro lado, se eu estiver certo, também não será o fim do mundo para ninguém, porque fé mal não faz... já a falta dela tem efeitos colaterais horríveis.
Do mais, tudo que posso dizer da Igreja é que sinto saudades: fiz amigos, encontrei meu primeiro-amor, sorri e chorei, alguns dizem que até mais ajudei do que atrapalhei... e isso é bom! Graças a Deus!