Devir (ou poeminha hegeliano)
como tudo que é
no instante seguinte
Era
e eu não sou mais
o Mesmo
do início deste
Poema
e durante o dia
a noite se espera
Ontem inverno
Hoje
Primavera.
sp. 20.11.2017 - 9h30
Arquivo digital para meus textos, independente do gênero.
Devir (ou poeminha hegeliano)
como tudo que é
no instante seguinte
Era
e eu não sou mais
o Mesmo
do início deste
Poema
e durante o dia
a noite se espera
Ontem inverno
Hoje
Primavera.
sp. 20.11.2017 - 9h30
Revelação da rotina I
Toda vez que o avião e sua rigidez metálica
Em jornada aparentemente lenta
Cruza o céu cinzazul da Dutra pela manhã
Curvando suavemente o vazio como um Urubu-branco
Compreendo mesmo ainda sem entender o
Porquê de infinitas vezes mais leve do que ele
Permaneço incomodamente preso ao chão.
- Sp 01.05.2017 às 03h36 -
Às vezes quero lançar-me via
Par metálico
Pra você
Estampar minha cutis na sua
No seu olfato
E povoar com meu cheiro o paladar
Do céu
Da tua boca
E que assim você degluta
Em
Gula
Meu amor
Todas as sílabas que só
Letram
Em mim
-Sem título-
Há versos pelos quatro cantos
Vieram com os ventos
Aos uivos
: espanto!
Entre silêncios e desvios
Fogem à boca e escorregam
Ao pé d'ouvido
: arrepio!
Há versos e quereres de um tanto
Indizíveis deslizam malícias
Aos lábios
: encanto!
21/09/2015
Há Choro
Sanfona
E Viola
Na minha quebrada.
Há Dor
Prezepada
E Nóias
Na minha quebrada
Há Sonhos
Intentona
E Gloria
Na minha quebrada.
Há
Também
Perfume fresco e Sorrisos
Perspectiva
PeleE
Amor
Na minha estrada
A chuva pingando lenta e oca
Sobre a lona lá fora
Enquanto palavras
Se embaralham dissonantes
Aqui dentro
Remete a uma
Paz esquisita e fora
De hora
Até mesmo os latidos débeis
Para um vigia (sempre) suspeito
Confortam
E a vida parece não ter
Mesmo
Nenhum mistério.
À minha perna esquerda
Embora destro
É minha perna esquerda
A dar sempre o
Primeiro passo
Esse ato corajoso e
Repe
Ti
Tivo
Deixa nela
Marcas
Que com o tempo
Se agravam
: brava perna esquerda
Sempre Bamba
Sem (nenhuma) destreza
Cumprindo quieta e dolorida
O destino
A sina
De levar adiante este corpo
Esta vida.
Ainda de madrugada
Rotineiramente
A caminho do trabalho
Um Poema me assalta
e
Sorrateiramente
Leva meus versos embora.
Quem dera fosse
tudo do meu jeito
Em vez do não
Ouvia: aceito
Quem dera fosse
Tudo como quero
Em vez da partida
Ouviria: te espero
Quem dera fosse
Fácil de combinar
Em vez de trabalhe
Ouviria: gozar
Mas
Quem sabe um dia
Mesmo sem querer
A vida se apruma
E ao invés de sair do eixo
Eu ouça: aquiete-se aqui
Nêgo
que
hora
ou
hora
Antes do sol clariá
Tudo que fosse ou sesse
Será!
(?)
Devagar
Lento
Es cor
rego
Sobre
Vivo
tento
a
tento
Acumulo um pouco
de
gás
o x
i
g n
ê i
o
e
mesmo
longe
dis
perso
tento
não
me per
der
Ah sim
lento
neste
mundo
faster
on
de
meio
of
re
ço
bra
va
e
l e n t a
res
ist
ên
cia
.
Era um preto de olhos baixos
Barba rasteira e branquiçada
Perseguia o samba nas casas rendeiras
De onde batucava e só ria riso exagerado
Queria o samba das dona de branco
Que fala línguas de caboclo e
Pisa com pés pelados na terra
Levava consigo pratos panos e um pavão
Eita preto risador
Feliz
Chorava em oração
Mas se ouvisse um verso de samba bom
Se gingava todo e só ria
Fazendo batuque n'palma da mão.
Perplexo
Estático
Ouve ao longe ruídos vencedores
Não lamenta não ora
E mudo em verdade
Faz o que pode
Mas é não-poesia
Verso fraco
Eco
Bulimia
Palavra por palavra
Encolhem diante da imensidão
Diante da noite branca
Que assenta sobre o papel
Todavia em São Paulo é poesia.
Metro livre à noite
Fixo e rimado no rush
Outras pura poesia concreta
Fragmentadas:
letras esparsas espalhando palvrões e encantos
Absorvendo borrachas, lama e sono
Algumas versos inacabados
Mudos
Escuros
Sorriso de gente triste
Toda via em São Paulo é poesia.
Cheias de cal e suor
Cheias de idas
De suspiros e
palavras inomináveis.
[ Luzes ]contam segredos
longe de qualquer alma[ janelas ]
todo-o-pouco[ revelam ]
[ noite ]
Ali
triste
(sem que fosse notado)
(tal qual Gullar ou Zé Paulo Paes)
(não sabem)
I
Certa vez pele embriagada me ludibriou com caminhos do então: mordia meu calcanhar a escorrer sangue e do barro fez-me mais preso ao chão.
II
Flutuo na azia carbonizada: artérias ardem suavemente enquanto canto uma canção desavisada aos que sorriem felizes de um modo simplesmente possível.
Falar sobre o amor é sempre um risco absurdo de cair no clichê ou dar tiro no pé. De qualquer maneira, decidi correr esse ou esses riscos.
Não sou do tipo solteiro convicto como alguns gostam de ser ou parecer e como outros me classificam, aliás, costumo responder que sou um convicto da felicidade! Só ou acompanhado o sujeito deve buscar sua alegria, bem estar: felicidade. Para tanto, reproduzo um conceito comum em que a vida se constitui de momentos felizes e que como sabemos não são os únicos de uma vida minimamente normal.
Ao "involuntariamente" pensar neste assunto, imaginei o seguinte cenário: a mulher ideal seria além de linda – aos meus olhos -, amiga, admirável, independente e simples. Ela seria também carregada de uma alegria natural e essa seria sua única exigência: que você fosse também naturalmente alegre.
Idealização, clichê, obviedade ou qualquer outra coisa, pouco importa nome ou característica dada, o amor deveria ser assim.
O exemplo é dado por meio de uma mulher e ilustra um relação amorosa, porém isso se estende para tudo: pai para filho e vice e versa e , claro, amigos; aliás essa formula deriva muito da relação de amizade dentro e fora do círculo familiar.
É delicioso gostar de alguém e simplesmente não sofrer com suas viagens constantes ou longas, pelo contrário, curtir a ideia e superar a tristeza inicial por curtir a mesma expectativa boa do outro e depois ser também beneficiado da sua alegria e êxito: "o amor é paciente, cuidadoso e não tem vaidade" bíblia sagrada, corintios, 13. "O amor é […] amor", Camões.
Desconheço a contribuição da psicologia ou qualquer outra mais moderna, mas quando não é assim, pode até parecer amor, pa-re-cer.
Se machuca, se destrói, se afasta, ou seja, se a vaidade fala mais alto, o amor está contaminado ou não é amor.
Sobre saudade e ciúmes.
Saudade é presença em nós de algo bom do outro: "é amor que fica", citando um médico que cita um paciente. Ausência é, na verdade, presença. Todos somos provas de que valorizamos mais algo ou alguém quando somos afastados. Outra obviedade: saudade é bom, aliás, muito bom!
O ciúmes é fundamental em qualquer relação, desde que mantido a níveis seguros, funciona como o raio: descarga elétrica que fertiliza o solo.
Todos conhecemos uma ou outra história amorosa, filial ou de amizade que enche-nos de esperança ou de tristeza, isso é a vida real.
Particularmente não creio que minha definição inicial seja um idealização: temos em maior ou em menor medida esse amor paciente, cuidadoso e sem vaidade; precisamos sim é acordar para ele em todas as suas esferas: aproveitá-lo muito e oferecê-lo muito, contudo, para que isso seja real é indispensável que isso comece com seu interlocutor inseparável que é você mesmo.
Seja consigo o que gostaria que outros fossem: amigo, admirável, independente e simples.
Estar bem com seu eu, ou seja, em equilíbrio, é o mínimo que você pode fazer por você mesmo e por mais paradoxal que pareça, isso não quer dizer, nem de perto, rir o tempo todo.