quarta-feira, 3 de agosto de 2011

:: Poema

Celular
os dedos em transe
trançando letra por letra:
palavras-palavras


quinta-feira, 28 de julho de 2011

:: Poema


pow pow pow
martelos e marretas avulsas
saltam sobre cabeças e ilusões rachadas


terça-feira, 26 de julho de 2011

:: Poema


qualquer coisa
entre o vácuo e o vazio
é o terreno que me habita

terça-feira, 17 de maio de 2011

:: Poema


AUTOR - RE - TRATO

*Ao Laércio, com vergonha, em memória

"E o que me importa, esta dor feito faca no peito
Ninguém mais arranca, ninguém mais da jeito"
- Gonzaguinha -



Nem intelectual de fato
Nem malandro o suficiente

Sou aquele tipo de Idiota Ideal

: incapaz de incomodar

para além de um poema mal-feito





terça-feira, 10 de maio de 2011

:: Poema


roupas no varal
risos, rachaduras, quintal
esmaecer da vida: noite

:: Poema

 
Não-poema
: verso amargo
                         largo
 
Sem precisão
 
: insatisfeito com sua posição
 
                           latu
código
 
                      i n s e n s A t o
 
Mera palavra sem mensagem
receita médica
ou
relato
 
Se faz em verso
Sem dizer o que nos sustenta
anima
reacende
ou
defina
de 
fato
 
 

 

:: Poema


Cena I
 
corpos escorregam-se no torpor
dos seios subvertendo o chão
desalinhando os lábios e expandindo os espaços
na tentativa ruída de ser um
 
 

domingo, 1 de maio de 2011

:: Poema

Ponta
 
A ponta da caneta
fina que seja
tinta o papel
como se fosse pedra
 
Falsa delicadeza
obscura face: sorrateira
revala-se palavra doce
sob a marca negra
 
Trançando risco à deriva
cola em celulose: saliva
pedaços semânticos
escorridos na malícia do bico
 
Fina extremidade que corre
financiando atos: decretos
subjetivos ou concretos
esperando a eternidade
 
Às vezes sangue outras petróleo
faz zigue-zague: sonhos
zona imprecisa ponta
lisa, frágil e torpe
 
d
 e
s
           a
fiando
 o
             vazio.



:: Poema


Passos, passos, passos

Olhos além: rosto qualquer

Despedindo-se da tarde

sexta-feira, 29 de abril de 2011

:: Texto

 
                                                             Para Jorge L. Borges
 
na hora da angústia à meia luz
mirava com ternura seu colo
quem nos dirá as coisas que sentiu
Deus ao dar vida e calor àqueles olhos?


segunda-feira, 11 de abril de 2011

:: Poema


[ Luzes ]

contam segredos

[ janelas ]

longe de qualquer alma

[ revelam ]

todo-o-pouco

pintando amarelos no vazio

da
[ noite ]

:: Poema

nenhum verso consola o peito
que ausculta o piso

frio ou

olhar rumo ao vazio iluminado oculto

acortinado

véu esconderijo

vivo

espectros de seres frígidos

sóbrios ou

sombrios

ilusão redentora oca

dura demais

pra que se engula

pra que se fique na boca.



quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

:: Poema


Confessional  

percebo agora
gestos
que só você
viu.


quarta-feira, 19 de janeiro de 2011


Para Valéria

galhocadeirabalanço
pássaro embala eu
: espanto


terça-feira, 18 de janeiro de 2011

:: Poema

Houve um amor (há)
só de um
Valia por cem, duzentos
Valia por mil
Morreu
(pura mentira)
Gritando no silêncio reservado ao nada
Cheio de esperança por ser
Amor
Cheio de nãos e um ou outro
Sim
Carregado de desespero
dor e silêncio
Razão de ser amor
e
fim!

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

: Texto

Olhar:

Já há algum tempo, a mesa é metade comida e metade aparo, bagunça. Quando cedeu espaço para bugigangas e burocracias: contas, multas, jornais vellhos e correspondências-sem-sujeitos?


domingo, 9 de janeiro de 2011

:: Poema

Um cogumelo nasceu
Ali
num canto escuro-úmido

triste

Em poucas horas
(sem que fosse notado)
fez-se altivo

Se eu fosse poeta
(tal qual Gullar ou Zé Paulo Paes)

descreveria todo seu ciclo de modo
que forma e conteúdo seriam

o próprio

Como estas mãos não fazem versos
(não sabem)
fica este débil registro

(encanto)

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

:: Poema


Fios de prata seguem
lado a lado
no breu da noite


terça-feira, 7 de dezembro de 2010

:: Poema

II
azia rima com poesia
que
às vezes
é antiácida
outras
corrosiva
Não há dor que caiba na poesia
mas
se não nela
onde caberia?

:: Poema

Nunca achei trem
ou
metrô
matéria de poesia
mesmo porque
em horário de pico
só se fosse haicai
ou
pílula
se não
não caberia