sábado, 30 de junho de 2012

:: Poema (?)

ao Tom
(este)

poema de um verso só


quinta-feira, 28 de junho de 2012

:: Poema


Luz

O que faz a luz na sala
Atrás das cortinas
cerradas
sozinha no escuro?

O que faz a luz sozinha na sala
Em silêncio
À parte dos estalos
do tablado
Circundando de toda Sevilha
só um pedaço?

O que faz a luz na sala
Atrás das cortinas
cerradas
Sozinha no escuro?

:: Poema


Pontos pretos vagueiam
em par
Planam em zigue-zague
Cruzam sua fração de azul
brincando de voar


:: Poema (?)


"Anda!"

para onde caminho
o que podem passos?


:: Poema (?)


Há tristeza sim
alheia e cheia de fuligem
Zanza pela língua escorre pela garganta
e brota na cútis 
Aqui
não raro
ela é tudo
monocelular e resistente
pré-histórica
nem-vai nem-vem
sorrateiramente Incapaz
permanente
em
fim.



domingo, 6 de maio de 2012

:: Poema



no haicai
só sai
o que fica


:: Poema


o vento soprou silêncios
nas frestas segredo
da tarde



sábado, 24 de março de 2012

:: Poema


Hoje o nada
desabou sobre tudo
e o tempo -
esse vácuo abstrato -
é seu único aliado.


terça-feira, 13 de dezembro de 2011

:: Poema



traços constroem no linho
horizonte possível
: desvios
 
 

:: Poema


o nordeste sempre foi
meu chão
sem lá estar
ou ir
sinto entre meus dedos
e calcanhar
Bahia Ceará Maranhão
Piauí
todos picados e batidos
à palma da mão
prensados
disformes
rachados
: chão



quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

:: Poema



o som da enxada cava
fundo: metal e pedra se estranham
terra revolta

oxigênio

fratura exposta no chão
germes 
           vida
podridão

sangue calos suor
transfusão

vida inteiras à palma da mão

sedimentos
                 células
depósitos de brevidade
de nada
adubando
enriquecendo e nutrindo
solas pés e pão.




:: Poema


hoje as mãos enrugaram como nunca
sob a água
pareciam comunicar algo
prestes a estourar
do fundo d'alma bolhas viajaram
léguas sanguíneas
e se mostraram ao centro espalmado
sem timidez

minutos-horas-sob-a-água
não afogaram
ou-sequer-deram-outra-perspectiva
menos decadente
do que a velhice estampada nas enrugadas
digitais dos dedos

hoje a vida enrugou como nunca sob
o aqueiro que escorre sem parar pelo ladrão
e que escapa das palmas (enrugadas)
entre meios

a água-víscera não se contém e expande
espalhando vícios
quem tentou coagular a água?
faz-se ver
quem tentou esticar a pele enrugada que espalma
na mão?
quem tentou deformar tudo que se sabe
mas finge que não?


sábado, 19 de novembro de 2011

:: Poema


Céu-Cinza-Chumbo
Nuvens Carregadas
Parecem Veludo



sexta-feira, 7 de outubro de 2011

:: Poema

 
Uma noite de 64

passos em marcha
noturno intenso
latidos calam o silêncio

:: Poema

 
Cena II

Luz sobre luz
mundo liso à palma da mão
olhos fixos parte por parte
olhos embreagados no todo
ar ar ar : encanto

:: Poema

 
Falanana
até eu pegar o sono
fugir
e tonto desabar em
flashes e sinapses edificantes
 
Falanana
voz quente e macia
segredos de outra vida
lacunas cheias de espera e perspectivas
 
Falanana
beijos adjetivos e dedicatórias com
marcas da boca da pele
em suaves tatos
hora destraídos ora ousados
 
Falanana
olhares cerrados sobre o vácuo
sentido cortando espaços
silêncios revelando Dias
 
Falanana
até eu pegar o sono
fugir
e tonto desabar ofegante
no calor de teus relevos
 
Falanana
da falta que sua ala faz no carnaval
do samba oco do tamborim
disritmado, torto das
tentativas e
do fim
 
Fala Nana
 
 

N.L. Junior

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

:: Poema

 
 
So its all
All it is too much
Life Life Life
Our road is long
In the end
Like a Western
The path to the Sun
Is so so enough.


terça-feira, 20 de setembro de 2011

:: Poema

 
para Paulo Leminski
Mal
                  Mais hora
Menos hora
                 Todo mundo se sente
 
Duro é viver a vida inteira
Sempre consciente
 
 

:: Poema


esquecer-se
não tem mistério:
hoje nem eu me quero

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

:: Poema



Foto I

sombras, ao contrário do que pensam,
falam do lado claro da vida
gestos e imagens dançam ao sol
:sorrisos
pai e filho desfilam mãos 
sobre o corpo do dia.









--
N.L. Junior