domingo, 1 de maio de 2011

:: Poema

Ponta
 
A ponta da caneta
fina que seja
tinta o papel
como se fosse pedra
 
Falsa delicadeza
obscura face: sorrateira
revala-se palavra doce
sob a marca negra
 
Trançando risco à deriva
cola em celulose: saliva
pedaços semânticos
escorridos na malícia do bico
 
Fina extremidade que corre
financiando atos: decretos
subjetivos ou concretos
esperando a eternidade
 
Às vezes sangue outras petróleo
faz zigue-zague: sonhos
zona imprecisa ponta
lisa, frágil e torpe
 
d
 e
s
           a
fiando
 o
             vazio.



:: Poema


Passos, passos, passos

Olhos além: rosto qualquer

Despedindo-se da tarde

sexta-feira, 29 de abril de 2011

:: Texto

 
                                                             Para Jorge L. Borges
 
na hora da angústia à meia luz
mirava com ternura seu colo
quem nos dirá as coisas que sentiu
Deus ao dar vida e calor àqueles olhos?


segunda-feira, 11 de abril de 2011

:: Poema


[ Luzes ]

contam segredos

[ janelas ]

longe de qualquer alma

[ revelam ]

todo-o-pouco

pintando amarelos no vazio

da
[ noite ]

:: Poema

nenhum verso consola o peito
que ausculta o piso

frio ou

olhar rumo ao vazio iluminado oculto

acortinado

véu esconderijo

vivo

espectros de seres frígidos

sóbrios ou

sombrios

ilusão redentora oca

dura demais

pra que se engula

pra que se fique na boca.



quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

:: Poema


Confessional  

percebo agora
gestos
que só você
viu.


quarta-feira, 19 de janeiro de 2011


Para Valéria

galhocadeirabalanço
pássaro embala eu
: espanto


terça-feira, 18 de janeiro de 2011

:: Poema

Houve um amor (há)
só de um
Valia por cem, duzentos
Valia por mil
Morreu
(pura mentira)
Gritando no silêncio reservado ao nada
Cheio de esperança por ser
Amor
Cheio de nãos e um ou outro
Sim
Carregado de desespero
dor e silêncio
Razão de ser amor
e
fim!

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

: Texto

Olhar:

Já há algum tempo, a mesa é metade comida e metade aparo, bagunça. Quando cedeu espaço para bugigangas e burocracias: contas, multas, jornais vellhos e correspondências-sem-sujeitos?


domingo, 9 de janeiro de 2011

:: Poema

Um cogumelo nasceu
Ali
num canto escuro-úmido

triste

Em poucas horas
(sem que fosse notado)
fez-se altivo

Se eu fosse poeta
(tal qual Gullar ou Zé Paulo Paes)

descreveria todo seu ciclo de modo
que forma e conteúdo seriam

o próprio

Como estas mãos não fazem versos
(não sabem)
fica este débil registro

(encanto)

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

:: Poema


Fios de prata seguem
lado a lado
no breu da noite


terça-feira, 7 de dezembro de 2010

:: Poema

II
azia rima com poesia
que
às vezes
é antiácida
outras
corrosiva
Não há dor que caiba na poesia
mas
se não nela
onde caberia?

:: Poema

Nunca achei trem
ou
metrô
matéria de poesia
mesmo porque
em horário de pico
só se fosse haicai
ou
pílula
se não
não caberia

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

:: Poema

como eu queria agora um cafe forte de coador
ver a água ferver, escurecer e escorrer
fazer cara feia sem sentir dor
limpar a boca com as costas das mãos e com desprezo
estalar os lábios: menos satisfação e mais torpor

queria agora um café forte de coador
buscando sinestesicamente teus sabores
cinicamente minhas dores
descobrir pelos cantos da casa seu odor

um café forte de coador
com aquele cheiro só seu
todo açucarado, melado
cheio de cristais

cafezinho forte de coador
sem motor, sem barulho, sem pressa: só fervor.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

::: Conto (?)

 

 I

 

Certa vez pele embriagada me ludibriou com caminhos do então: mordia meu calcanhar a escorrer sangue e do barro fez-me mais preso ao chão.

 

II

 

Flutuo na azia carbonizada: artérias ardem suavemente enquanto canto uma  canção desavisada aos que sorriem felizes de um modo simplesmente possível.

 

 

terça-feira, 5 de outubro de 2010

:: Poema

- Sem título -

Guarde o desespero
O surto
O GRITO
Guarde tudo isso para depois.
Espere o silêncio
...
Mas não se iluda em prendê-lo
Que paz verdadeira não se tem nessa vida
E a utopia é combustível invisível nos teus pulmões
Não desperdice assim a insanidade
Munição tão cara não se joga fora
Alimente-se do trânsito
do aperto
do transe
da espera
das dores
da inveja
Tudo isso fortalece
E o teu trabalho, acredite, enobrece
Não adianta clamar
Todo ruído é feito de clamor
Teu piso é pedra
Teu riso é pedra
Tua cartilagem é de pedra
E a pedra dura porque é muda
Discreta: fortaleza de fragmento de terra.
Guarde o desespero
O surto
O GRITO
Guarde tudo isso para depois.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Evento


Olá!

Alguns versos meus foram incluídos numa produção da 127FUNDOS Cia. de Teatro que será exibida no próximo dia 18/09/2010 - 18h - no SESC IPIRANGA.

Após a apresentação, haverá um rápido bate-papo com os poetas.

Todos são muito bem vindos!


Saudações,
N. L. Junior


sexta-feira, 20 de agosto de 2010

:: Poema

desencontro
:seus pontos
em outra reta.

:: Poema

 
são seus traços
que delineiam
meu compasso
 

:: Poema

 
 
busco nos olhos alheios
a cura do cansaço
o peito vazio espreita