como se pudessem colher as poucas estrelas
outros desbicam pequenas capuchetas improvisadas
ignorando a melancolia dos adultos que assistem
Arquivo digital para meus textos, independente do gênero.
Era um preto de olhos baixos
Barba rasteira e branquiçada
Perseguia o samba nas casas rendeiras
De onde batucava e só ria riso exagerado
Queria o samba das dona de branco
Que fala línguas de caboclo e
Pisa com pés pelados na terra
Levava consigo pratos panos e um pavão
Eita preto risador
Feliz
Chorava em oração
Mas se ouvisse um verso de samba bom
Se gingava todo e só ria
Fazendo batuque n'palma da mão.
Perplexo
Estático
Ouve ao longe ruídos vencedores
Não lamenta não ora
E mudo em verdade
Faz o que pode
Mas é não-poesia
Verso fraco
Eco
Bulimia
Palavra por palavra
Encolhem diante da imensidão
Diante da noite branca
Que assenta sobre o papel
Todavia em São Paulo é poesia.
Metro livre à noite
Fixo e rimado no rush
Outras pura poesia concreta
Fragmentadas:
letras esparsas espalhando palvrões e encantos
Absorvendo borrachas, lama e sono
Algumas versos inacabados
Mudos
Escuros
Sorriso de gente triste
Toda via em São Paulo é poesia.
Cheias de cal e suor
Cheias de idas
De suspiros e
palavras inomináveis.