segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

:: poema (?)


Caracol à porta
parte quer sair
outra sempre volta.

sábado, 2 de janeiro de 2016

:: Poema (?)

À noite
quando tudo é supostamente silêncio
vozes se levantam
e mais ou menos distantes
vociferam
por outras vezes sussurram incontáveis
incompreensíveis histórias
o seu ressoar
cola em nossas cútis e alimenta outras
tantas que esquecemos pela manhã
quando de olhos abertos nossos poros 
param de escutar.


quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

:: poema (?)


Às vezes quero lançar-me via
Par metálico
Pra você
Estampar minha cutis na sua
No seu olfato
E povoar com meu cheiro o paladar
Do céu
Da tua boca
E que assim você degluta
Em
Gula
Meu amor
Todas as sílabas que só
Letram
Em mim

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

:: Poema (?)


-Sem título-

Há versos pelos quatro cantos
Vieram com os ventos
Aos uivos
: espanto!
Entre silêncios e desvios
Fogem à boca e escorregam
Ao pé d'ouvido
: arrepio!
Há versos e quereres de um tanto
Indizíveis deslizam malícias
Aos lábios
: encanto!

21/09/2015

domingo, 23 de agosto de 2015

:: Poema (?)


Haicai - 19/08/2015

Clara luz do dia
os prédios desenham sonhos
sobre a manhã fria




:: Poema

História I

- para A. Maria -

Certa vez
nos idos de já faz algum tempo
no fim de uma samba
quando tudo era silêncio
alguém gritou
: dor!
assutado, olhei
ela sorria, faceira, no fundo do bar
achei bonito aquele paradoxo flertando
com a madrugada
: guardei.


sábado, 6 de junho de 2015

:: Poema (?)


Estive por um fio
escorria por ele a vontade que os homens tem
de serem grandes, alguém
: jogador de futebol, piloto, empresário
marido, pai ou algum outro tipo de mandatário
Depois que tudo isso escorreu não ficou mais nada
apenas o que sou eu
Sem autoridade alguma 
cheio de vaidade nenhuma
vazio de quereres que aos olhos dos outro enchem
sobrou um eu (quase)
genuíno
De olhar grave, seco, quase calmo e sobretudo
Livre
E uma vez liberto pude
finalmente
amá-los
Me esvaziei de tudo que era dos outros
para me encher de afeto
: só assim sei amar.


segunda-feira, 18 de maio de 2015

:: Poema (?)

Haicai 18/05/2015

A vida é um (e)terno
e q u i l í b r i o
Entre o silêncio e o gemido


sexta-feira, 6 de março de 2015

:: Poema (?)

Haicai 03/2015

Na quarta-feira de cinzas
A quadra vazia
Reclama o tamborim

06-03-2015

terça-feira, 3 de março de 2015

:: Poema (?)

Haicai 1/2015

Num dia de março
Minha vida - distraída
Brincava de outono

N. 02-03-2015

domingo, 22 de fevereiro de 2015

:: poema (?)

o cheiro de orégano nas
pontas de meus dedos e o
ritmo acelerado de meu coração
atestam que você não veio e a janta
ficou fria em cima do fogão
sozinha...
o silêncio e minha fome dialogam 
: eu fico mudo no meio dessa
briga que já não é mais minha

algumas cores algumas músicas algumas
manias minhas não te deixam sair daqui e
talvez por isso não tenha vindo

todas as nossas impossibilidades e todas as
nossas vontades de nada valem de nada 
podem diante desse branco real que cega
emudece e desespera lentamente esse peito
descompassado

Passou o ano novo o carnaval o dia mais importante
do ano e outras datas comemorativas virão

e o silêncio a espera a comida fria estarão aqui
buscando uma fresta uma festa um bloco desafinado de carnaval
uma sidra pra estourar um olho castanho pra cruzar
mirar e arder frio entre pequenos sorrisos na cozinha

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

:: Poema (?)


Cicatrizes

             
: carinhos que a carne não esquece.



domingo, 1 de fevereiro de 2015

:: Poema (?)


Paródia para Euclides:

O pobre é
Antes
(e depois)
de tudo um
Forte.


sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

:: Poema (?)



Sobre o Tempo I

Não sei se com o passar dos anos
os pernilongos ficaram mais rápidos e
ziguezagueando de maneira mais habilidosa
talvez tenham subido alguns degraus na escala evolutiva

ou eu que envelhecido julgo com a mente rápido
movimentos bem longe de astutos ou precisos


Não sei se a vida era rápida assim antigamente
quando ainda quem sabe pequeno tudo era tempo

De pipa e bola primeiro e por muito tempo
de trabalhar e trabalhar ainda mais todo o tempo
de amar e amar muito mais depois sempre sem-tempo
Mas hoje rijo bato palmas no ar como se estivesse a celebrar

Um inepto estágio evolutivo em que tudo ainda fosse o mesmo
ziguezague de sempre só que mais mais lento.



domingo, 21 de dezembro de 2014

:: Poema (?)


Há Choro
Sanfona
E Viola
Na minha quebrada.
Há Dor
Prezepada
E Nóias
Na minha quebrada
Há Sonhos
Intentona
E Gloria
Na minha quebrada.

Também
Perfume fresco e Sorrisos
Perspectiva
PeleE
Amor
Na minha estrada

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

:: Poema (?)

A  chuva pingando lenta e oca
Sobre a lona lá fora
Enquanto palavras
Se embaralham dissonantes
Aqui dentro
Remete a uma
Paz esquisita e fora
De hora
Até mesmo os latidos débeis
Para um vigia (sempre) suspeito
Confortam
E a vida parece não ter
Mesmo
Nenhum mistério.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

:: Poema (?)

Caconatomia

Parte de mim
essa vontade de
e s f a c e l a  r - s e
,
di-
vi – dir -
me em
par
t e
s

Obra de Adriana Varejão

domingo, 31 de agosto de 2014

:: Poema


À minha perna esquerda

Embora destro
É minha perna esquerda
A dar sempre o
Primeiro passo
Esse ato corajoso e
Repe
Ti
Tivo
Deixa nela
Marcas
Que com o tempo
Se agravam
: brava perna esquerda
Sempre Bamba
Sem (nenhuma) destreza
Cumprindo quieta e dolorida
O destino
A sina
De levar adiante este corpo
Esta vida.

terça-feira, 27 de maio de 2014

::Poema (?)


Ainda de madrugada
Rotineiramente
A caminho do trabalho
Um Poema me assalta
e
Sorrateiramente
Leva meus versos embora.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

:: Poema (?)


Quem dera fosse
tudo do meu jeito
Em vez do não
Ouvia: aceito

Quem dera fosse
Tudo como quero
Em vez da partida
Ouviria:  te espero

Quem dera fosse
Fácil de combinar
Em vez de trabalhe
Ouviria: gozar

Mas

Quem sabe um dia
Mesmo sem querer
A vida se apruma
E ao invés de sair do eixo
Eu ouça: aquiete-se aqui
Nêgo
que
hora
ou
     hora
Antes do sol clariá
Tudo que fosse ou sesse
Será!
(?)