domingo, 1 de fevereiro de 2015

:: Poema (?)


Paródia para Euclides:

O pobre é
Antes
(e depois)
de tudo um
Forte.


sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

:: Poema (?)



Sobre o Tempo I

Não sei se com o passar dos anos
os pernilongos ficaram mais rápidos e
ziguezagueando de maneira mais habilidosa
talvez tenham subido alguns degraus na escala evolutiva

ou eu que envelhecido julgo com a mente rápido
movimentos bem longe de astutos ou precisos


Não sei se a vida era rápida assim antigamente
quando ainda quem sabe pequeno tudo era tempo

De pipa e bola primeiro e por muito tempo
de trabalhar e trabalhar ainda mais todo o tempo
de amar e amar muito mais depois sempre sem-tempo
Mas hoje rijo bato palmas no ar como se estivesse a celebrar

Um inepto estágio evolutivo em que tudo ainda fosse o mesmo
ziguezague de sempre só que mais mais lento.



domingo, 21 de dezembro de 2014

:: Poema (?)


Há Choro
Sanfona
E Viola
Na minha quebrada.
Há Dor
Prezepada
E Nóias
Na minha quebrada
Há Sonhos
Intentona
E Gloria
Na minha quebrada.

Também
Perfume fresco e Sorrisos
Perspectiva
PeleE
Amor
Na minha estrada

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

:: Poema (?)

A  chuva pingando lenta e oca
Sobre a lona lá fora
Enquanto palavras
Se embaralham dissonantes
Aqui dentro
Remete a uma
Paz esquisita e fora
De hora
Até mesmo os latidos débeis
Para um vigia (sempre) suspeito
Confortam
E a vida parece não ter
Mesmo
Nenhum mistério.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

:: Poema (?)

Caconatomia

Parte de mim
essa vontade de
e s f a c e l a  r - s e
,
di-
vi – dir -
me em
par
t e
s

Obra de Adriana Varejão

domingo, 31 de agosto de 2014

:: Poema


À minha perna esquerda

Embora destro
É minha perna esquerda
A dar sempre o
Primeiro passo
Esse ato corajoso e
Repe
Ti
Tivo
Deixa nela
Marcas
Que com o tempo
Se agravam
: brava perna esquerda
Sempre Bamba
Sem (nenhuma) destreza
Cumprindo quieta e dolorida
O destino
A sina
De levar adiante este corpo
Esta vida.

terça-feira, 27 de maio de 2014

::Poema (?)


Ainda de madrugada
Rotineiramente
A caminho do trabalho
Um Poema me assalta
e
Sorrateiramente
Leva meus versos embora.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

:: Poema (?)


Quem dera fosse
tudo do meu jeito
Em vez do não
Ouvia: aceito

Quem dera fosse
Tudo como quero
Em vez da partida
Ouviria:  te espero

Quem dera fosse
Fácil de combinar
Em vez de trabalhe
Ouviria: gozar

Mas

Quem sabe um dia
Mesmo sem querer
A vida se apruma
E ao invés de sair do eixo
Eu ouça: aquiete-se aqui
Nêgo
que
hora
ou
     hora
Antes do sol clariá
Tudo que fosse ou sesse
Será!
(?)

sexta-feira, 7 de março de 2014

:: Poema


Devagar
Lento
Es cor
rego
Sobre
Vivo
tento
a
tento
Acumulo um pouco
de
gás
o x
i
g  n
ê   i
o
e
mesmo
longe
dis
perso
tento
não
me per
der
Ah sim
lento
neste
mundo
faster
on
de
meio
of
re
ço
bra
va
e
l e n t a
res
ist
ên
cia
.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

:: Poema (?)

No início do silêncio
risos e corre-corres
cruzam o que por algumas horas será [deserto]?
salvo transeuntes desobrigados
da rotina "que constrói e destrói coisas belas"
No descampado de asfalto e concreto
crianças empinam sacolas brancas
como se pudessem colher as poucas estrelas

outros desbicam pequenas capuchetas improvisadas
como a vida
ignorando a melancolia dos adultos que assistem
porque desaprenderam a brincar.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

:: Poema (?)


Era um preto de olhos baixos
Barba rasteira e branquiçada
Perseguia o samba nas casas rendeiras
De onde batucava e só ria riso exagerado
Queria o samba das dona de branco
Que fala línguas de caboclo e
Pisa com pés pelados na terra
Levava consigo pratos panos e um pavão
Eita preto risador
Feliz
Chorava em oração
Mas se ouvisse um verso de samba bom
Se gingava todo e só ria
Fazendo batuque n'palma da mão.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

:: Poema

Hoje um homem preto
Quase azul
De sorriso cândido
Coloria palavras para
Sua filha
Não ouvi o que falava
Tinha ver com escola
Tinha a ver com
Experiência e sala de aula
Certo é que quando
Falava
Enfeitava
Coloria
Os caminhos da menina


domingo, 22 de setembro de 2013

:: Poema

Amo em silêncio
E não me orgulho
Orgulho-me apenas de
Um modo ou de outro
Amar

De A a Z
Meus amigos
Parentes
Amantes
e
Conhecidos
Distantes
Sumidos
Vizinhas
e
Vizinhos
Amo em silêncio

Desconhecidos
Ex amores
Os por vir
O de agora
São todos silêncios em mim

Inimigos
Mocinhas e Bandidos
Com fé nos outros
Ou
No próprio Umbigo
Eu amo vocês
E bebo a isso sem
Um tim-tim sequer
Porque amo sem barulho

Se amar é sofre
Sofro em silêncio
E não me orgulho por não gritar

Mas já há tanto barulho
Tanto ruído
Tanto a ver
Tanto a olhar
Tanto tanto

Que amo todos
E mesmo em silêncio
Me comovo em amar
E claro que amor não se basta em si

É que amo tanto tanto
Que um dia morro de tanto amar
E talvez eu morra em silêncio

Porque são tantos os amores
E tantas as formas que é fácil falar
Difícil mesmo é amar

Amo em silêncio
E não me orgulho
Orgulho-me apenas
de Amar




:: Poema

Gosto de poemas que terminam
dizendo as mesmas palavras do início

"Como dois e dois são quatro..."

Deveria seguir-se agora um lista grande
de poemas e poetas

Mas sofro de memória
ou de falta

Talvez por isso

Gosto de poemas que terminam
dizendo as mesmas palavras do início




quinta-feira, 5 de setembro de 2013

:: Poema


Curto ou Largo
Passo a Passo

Sigo
      a diante
E sem ou com
Passo
Não raro
Giro rápido
Em meu próprio eixo
E retomo pasmo
Meu Ex Passo




sábado, 31 de agosto de 2013

:: Poema


Seca folha que
um dia verde era
voltará flor: primavera



domingo, 25 de agosto de 2013

:: Poema (?)

[Saudade Cítrica]

Neste domingo
as laranjas deixam cheiro de saudade
e minhas mãos dançam em vão
: já não cobrem mais
as fissuras
não calam mais os gritos
nem afagam mais seus pêlos

O vazio rói sorrateiro
enquanto o silêncio
que abraçava todas a peças
foge a cada a carro que passa longe

Latidos se espalham 
mas nenhum riso
nenhum sonho

Imperativamente vozes palpitam
: sopram versos que não consigo escrever

Então fecho os olhos
Cheiro minhas mãos
Cheias de laranja e Saudades

- É possível lavá-las com leite
Mas prefiro, Não!



segunda-feira, 10 de junho de 2013

:: Poema


Rascunho no branco
a protopoesia que estava
ali
solta e viva a rondar bocas e
vidas
deslizando entre pés e pernas
descidas
ancorada em tímidos soslaios
compassos
aerada e cinza de fuligens de
máquinas
proto-rica-poesia perdida e
nua
onde será que foste parar
rua
como vou resgatar toda um dia
você
integra
simples
e
pura
 ?



domingo, 17 de março de 2013

:: poema


um bom poema andou por anos
na rua da amargaliteratura
lido e copiado 
aqui
ali
décadas a fio
desafiou críticos e padrinhos
sem gênero definido
a saber se era linha ou linho
costurou com angústia e lírica
seu próprio caminho
morrendo e re
vi
vendo
toda essa putaria escura
de muita vaidade
e pouca bravura.


sexta-feira, 1 de março de 2013

:: Poema


Sempre que vem o haikai
o essencial fica
o exagero sai