quinta-feira, 5 de novembro de 2020

:: Copo Americano ::


Quantos mls cabem
Na sua taça ou na minha
Quando a vida está vazia?

Às vezes 100 ou 150
Com chorinho
Talvez
190

Cento e noventa partes de mim
E
Sem que você se de conta esgueiro-me
Até à boca
Derramando-me em
L
I
N
H
A
S
Transbordamento
Sem pudor dobro a aposta
Inteira fragmento 
Chego à 200

Duzentas partes de mil


terça-feira, 3 de março de 2020

:: Poema ::

Confissão 

: meu corpo treme sua ausência. 

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

:: Poema (?) ::

Nublado

Já notou,
 meu amor
Faz dias que a cor do dia é cinza
por mais que de azul se finja.  

verão | 2019

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

:: Poema (?)

Ciúme

Seu trapézio sobre
Outro ombro


segunda-feira, 30 de julho de 2018

:: poema


O que será que vem à cabeça
Daqueles que me veem aqui

E lá nas minhas redes (anti)sociais

Veem rugas, decriptude e como o
Tempo e a vida fora (in)justos comigo

Vem sempre o desejo de ser eu mesmo
Ainda que seja eu ou qualquer um

Sempre um outro de nós mesmos

Será comprometida ou automática
Alguma entre a primeira e a centésima

Curtida que a uns envaidece e intriga

Será a manifestação tátil de um desejo
Quase trágico de saciar-se com o objeto

Desejado sem tê-lo de fato tocado

Como num sonho onde claro ou Enigmático somos todos limítrofes

Entre inocentes e completos culpados

Me desejam ou me desprezam até
Aqueles e aquelas que já me desejaram

Veem o que querem ou a mim mesmo
Nesta foto em que um momento está
                                              [Estampado

Ignoram, riem ou observam estáticos
Esse qualquer um que brinca de quadro

?

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

:: Poema (?)

Devir (ou poeminha hegeliano)

como tudo que é
no instante seguinte
Era
e eu não sou mais
o Mesmo
do início deste
Poema
e durante o dia
a noite se espera
Ontem inverno
Hoje
Primavera.

sp. 20.11.2017 - 9h30



Livre de vírus. www.avg.com.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

:: Poema (?)

Haiku 2.

após chuva repentina
Sabiás cantavam
boleros ao pôr do sol

02/10/17 18h04


Livre de vírus. www.avg.com.

:: Poema (?)

Haiku 1.

durante o primeiro
florescimento da Gérbera
sonhei teu sorriso

22.09.17 - 02h37


Livre de vírus. www.avg.com.

segunda-feira, 3 de julho de 2017

:: Texto (?)

A Imigrantes brilha e se move
De maneira sedutora neste fim de tarde
Quando a penumbra parece tudo perecer
Convida-me a deslizar entre suas faixas
Num ziguezague (quase) sem fim rumo
Ao mar.

Move-me também o desejo de sereias
Águas e sal
Neste instante silencioso dentro do metrô
A Imigrantes convida-me a deslocar 
E sem sair do lugar (embora o metrô me leve para o Oeste) migro e emerjo outro
(Ainda que dentronde mim)
E aqueles faróis mudos jamais saberão desta diáspora que rompeu em mim.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

:: Texto

Revelação da rotina II

Deu no rádio que desde hoje todas as mensagens do WhatsUp! são criptografadas. Ou seja: cem por cento do que dissermos se transformará de uma maneira ou de outra em um tipo de segredo digital que demoraria, segundo eles, milhões de anos para ser descriptografado. Por isso tomei uma decisão, Teresa: só direi eu te amo ao vivo e em público ou por um olhar completamente aberto e, às vezes, triste. Lembrei daquela música do Chico... "não se afobe, não.." Todas as declarações anteriores, agora, são um eco quase inquebrável do meu amor. Mas lá no futuro em vez de escafandristas serão hackers. Achei a palavra bonita sem o mesmo charme.

- Sp 31.05.2017 às 17h48 -

:: Poema


Revelação da rotina I

Toda vez que o avião e sua rigidez metálica
Em jornada aparentemente lenta 
Cruza o céu cinzazul da Dutra pela manhã
Curvando suavemente o vazio como um Urubu-branco
Compreendo mesmo ainda sem entender o
Porquê de infinitas vezes mais leve do que ele
Permaneço incomodamente preso ao chão.

- Sp 01.05.2017 às 03h36 -

segunda-feira, 22 de maio de 2017

:: poema ?

Hoje o desejo de poesia
Esbarrou no cansaço
E depois de rolar 
A escada
Em vez de versos
Ouviu-se a (duras) penas
Um breve lá
Mento.

Outono|2017

terça-feira, 5 de julho de 2016

:: Poema (?)

Nos últimos anos tenho guardado sorrisos na parede
Têm se acumulado contra minha vontade mas procuro 
Entender minha limitação diante da necessidade de se sorrir
Aqui e Além
Onde provavelmente buscam então sorrisos que já tiveram perto
E agora e há muito tempo riem em eco sem fim e buscam também
Os sorrisos que involuntariamente deixaram para trás
É passível de crença terem descoberto que apesar da nobreza das lágrimas
Nas paredes preferimos os sorrisos largos, amarelos, debochados ou de canto
De boca quase disfarçados
Junto a eles há rugas, rusgas, olhos lagrimados,cerrados, comprimidos ou 
Profundamente estáticos mirando um ponto a ser fotografado como se a retina
Pudesse então tatuar dentro de algum espaço aquele traço de tempo estancado
Não raro observo estes sorrisos pendurados nesta parede-tempo-de-saudade e
Humildemente esboço um sorriso de volta como se anunciasse sem vergonha
Que chegará minha vez de sorrir completamente num eco sem fim e que por mais
Ansioso e saudoso que possa estar para reencontrar as gargalhadas bufadas e
Retomadas de ar
Ainda corro o risco de pendurar outros sorrisos a-qualquer-momento
menos ou mais amarelos e intensos que o meu 
Esta probabilidade quase-me-mareja-os-olhos mas  antes disso arde no peito
A gratidão de ter sobre as nódoas uma coleção de sorrisos que me fazem rir por dentro
E fazem saber que terei meu espaço um dia entre tantas boas risadas.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

:: poema (?)


Caracol à porta
parte quer sair
outra sempre volta.

sábado, 2 de janeiro de 2016

:: Poema (?)

À noite
quando tudo é supostamente silêncio
vozes se levantam
e mais ou menos distantes
vociferam
por outras vezes sussurram incontáveis
incompreensíveis histórias
o seu ressoar
cola em nossas cútis e alimenta outras
tantas que esquecemos pela manhã
quando de olhos abertos nossos poros 
param de escutar.


quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

:: poema (?)


Às vezes quero lançar-me via
Par metálico
Pra você
Estampar minha cutis na sua
No seu olfato
E povoar com meu cheiro o paladar
Do céu
Da tua boca
E que assim você degluta
Em
Gula
Meu amor
Todas as sílabas que só
Letram
Em mim

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

:: Poema (?)


-Sem título-

Há versos pelos quatro cantos
Vieram com os ventos
Aos uivos
: espanto!
Entre silêncios e desvios
Fogem à boca e escorregam
Ao pé d'ouvido
: arrepio!
Há versos e quereres de um tanto
Indizíveis deslizam malícias
Aos lábios
: encanto!

21/09/2015

domingo, 23 de agosto de 2015

:: Poema (?)


Haicai - 19/08/2015

Clara luz do dia
os prédios desenham sonhos
sobre a manhã fria




:: Poema

História I

- para A. Maria -

Certa vez
nos idos de já faz algum tempo
no fim de uma samba
quando tudo era silêncio
alguém gritou
: dor!
assutado, olhei
ela sorria, faceira, no fundo do bar
achei bonito aquele paradoxo flertando
com a madrugada
: guardei.


sábado, 6 de junho de 2015

:: Poema (?)


Estive por um fio
escorria por ele a vontade que os homens tem
de serem grandes, alguém
: jogador de futebol, piloto, empresário
marido, pai ou algum outro tipo de mandatário
Depois que tudo isso escorreu não ficou mais nada
apenas o que sou eu
Sem autoridade alguma 
cheio de vaidade nenhuma
vazio de quereres que aos olhos dos outro enchem
sobrou um eu (quase)
genuíno
De olhar grave, seco, quase calmo e sobretudo
Livre
E uma vez liberto pude
finalmente
amá-los
Me esvaziei de tudo que era dos outros
para me encher de afeto
: só assim sei amar.