segunda-feira, 2 de outubro de 2017

:: Poema (?)

Haiku 1.

durante o primeiro
florescimento da Gérbera
sonhei teu sorriso

22.09.17 - 02h37


Livre de vírus. www.avg.com.

segunda-feira, 3 de julho de 2017

:: Texto (?)

A Imigrantes brilha e se move
De maneira sedutora neste fim de tarde
Quando a penumbra parece tudo perecer
Convida-me a deslizar entre suas faixas
Num ziguezague (quase) sem fim rumo
Ao mar.

Move-me também o desejo de sereias
Águas e sal
Neste instante silencioso dentro do metrô
A Imigrantes convida-me a deslocar 
E sem sair do lugar (embora o metrô me leve para o Oeste) migro e emerjo outro
(Ainda que dentronde mim)
E aqueles faróis mudos jamais saberão desta diáspora que rompeu em mim.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

:: Texto

Revelação da rotina II

Deu no rádio que desde hoje todas as mensagens do WhatsUp! são criptografadas. Ou seja: cem por cento do que dissermos se transformará de uma maneira ou de outra em um tipo de segredo digital que demoraria, segundo eles, milhões de anos para ser descriptografado. Por isso tomei uma decisão, Teresa: só direi eu te amo ao vivo e em público ou por um olhar completamente aberto e, às vezes, triste. Lembrei daquela música do Chico... "não se afobe, não.." Todas as declarações anteriores, agora, são um eco quase inquebrável do meu amor. Mas lá no futuro em vez de escafandristas serão hackers. Achei a palavra bonita sem o mesmo charme.

- Sp 31.05.2017 às 17h48 -

:: Poema


Revelação da rotina I

Toda vez que o avião e sua rigidez metálica
Em jornada aparentemente lenta 
Cruza o céu cinzazul da Dutra pela manhã
Curvando suavemente o vazio como um Urubu-branco
Compreendo mesmo ainda sem entender o
Porquê de infinitas vezes mais leve do que ele
Permaneço incomodamente preso ao chão.

- Sp 01.05.2017 às 03h36 -

segunda-feira, 22 de maio de 2017

:: poema ?

Hoje o desejo de poesia
Esbarrou no cansaço
E depois de rolar 
A escada
Em vez de versos
Ouviu-se a (duras) penas
Um breve lá
Mento.

Outono|2017

terça-feira, 5 de julho de 2016

:: Poema (?)

Nos últimos anos tenho guardado sorrisos na parede
Têm se acumulado contra minha vontade mas procuro 
Entender minha limitação diante da necessidade de se sorrir
Aqui e Além
Onde provavelmente buscam então sorrisos que já tiveram perto
E agora e há muito tempo riem em eco sem fim e buscam também
Os sorrisos que involuntariamente deixaram para trás
É passível de crença terem descoberto que apesar da nobreza das lágrimas
Nas paredes preferimos os sorrisos largos, amarelos, debochados ou de canto
De boca quase disfarçados
Junto a eles há rugas, rusgas, olhos lagrimados,cerrados, comprimidos ou 
Profundamente estáticos mirando um ponto a ser fotografado como se a retina
Pudesse então tatuar dentro de algum espaço aquele traço de tempo estancado
Não raro observo estes sorrisos pendurados nesta parede-tempo-de-saudade e
Humildemente esboço um sorriso de volta como se anunciasse sem vergonha
Que chegará minha vez de sorrir completamente num eco sem fim e que por mais
Ansioso e saudoso que possa estar para reencontrar as gargalhadas bufadas e
Retomadas de ar
Ainda corro o risco de pendurar outros sorrisos a-qualquer-momento
menos ou mais amarelos e intensos que o meu 
Esta probabilidade quase-me-mareja-os-olhos mas  antes disso arde no peito
A gratidão de ter sobre as nódoas uma coleção de sorrisos que me fazem rir por dentro
E fazem saber que terei meu espaço um dia entre tantas boas risadas.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

:: poema (?)


Caracol à porta
parte quer sair
outra sempre volta.

sábado, 2 de janeiro de 2016

:: Poema (?)

À noite
quando tudo é supostamente silêncio
vozes se levantam
e mais ou menos distantes
vociferam
por outras vezes sussurram incontáveis
incompreensíveis histórias
o seu ressoar
cola em nossas cútis e alimenta outras
tantas que esquecemos pela manhã
quando de olhos abertos nossos poros 
param de escutar.


quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

:: poema (?)


Às vezes quero lançar-me via
Par metálico
Pra você
Estampar minha cutis na sua
No seu olfato
E povoar com meu cheiro o paladar
Do céu
Da tua boca
E que assim você degluta
Em
Gula
Meu amor
Todas as sílabas que só
Letram
Em mim

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

:: Poema (?)


-Sem título-

Há versos pelos quatro cantos
Vieram com os ventos
Aos uivos
: espanto!
Entre silêncios e desvios
Fogem à boca e escorregam
Ao pé d'ouvido
: arrepio!
Há versos e quereres de um tanto
Indizíveis deslizam malícias
Aos lábios
: encanto!

21/09/2015

domingo, 23 de agosto de 2015

:: Poema (?)


Haicai - 19/08/2015

Clara luz do dia
os prédios desenham sonhos
sobre a manhã fria




:: Poema

História I

- para A. Maria -

Certa vez
nos idos de já faz algum tempo
no fim de uma samba
quando tudo era silêncio
alguém gritou
: dor!
assutado, olhei
ela sorria, faceira, no fundo do bar
achei bonito aquele paradoxo flertando
com a madrugada
: guardei.


sábado, 6 de junho de 2015

:: Poema (?)


Estive por um fio
escorria por ele a vontade que os homens tem
de serem grandes, alguém
: jogador de futebol, piloto, empresário
marido, pai ou algum outro tipo de mandatário
Depois que tudo isso escorreu não ficou mais nada
apenas o que sou eu
Sem autoridade alguma 
cheio de vaidade nenhuma
vazio de quereres que aos olhos dos outro enchem
sobrou um eu (quase)
genuíno
De olhar grave, seco, quase calmo e sobretudo
Livre
E uma vez liberto pude
finalmente
amá-los
Me esvaziei de tudo que era dos outros
para me encher de afeto
: só assim sei amar.


segunda-feira, 18 de maio de 2015

:: Poema (?)

Haicai 18/05/2015

A vida é um (e)terno
e q u i l í b r i o
Entre o silêncio e o gemido


sexta-feira, 6 de março de 2015

:: Poema (?)

Haicai 03/2015

Na quarta-feira de cinzas
A quadra vazia
Reclama o tamborim

06-03-2015

terça-feira, 3 de março de 2015

:: Poema (?)

Haicai 1/2015

Num dia de março
Minha vida - distraída
Brincava de outono

N. 02-03-2015

domingo, 22 de fevereiro de 2015

:: poema (?)

o cheiro de orégano nas
pontas de meus dedos e o
ritmo acelerado de meu coração
atestam que você não veio e a janta
ficou fria em cima do fogão
sozinha...
o silêncio e minha fome dialogam 
: eu fico mudo no meio dessa
briga que já não é mais minha

algumas cores algumas músicas algumas
manias minhas não te deixam sair daqui e
talvez por isso não tenha vindo

todas as nossas impossibilidades e todas as
nossas vontades de nada valem de nada 
podem diante desse branco real que cega
emudece e desespera lentamente esse peito
descompassado

Passou o ano novo o carnaval o dia mais importante
do ano e outras datas comemorativas virão

e o silêncio a espera a comida fria estarão aqui
buscando uma fresta uma festa um bloco desafinado de carnaval
uma sidra pra estourar um olho castanho pra cruzar
mirar e arder frio entre pequenos sorrisos na cozinha

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

:: Poema (?)


Cicatrizes

             
: carinhos que a carne não esquece.



domingo, 1 de fevereiro de 2015

:: Poema (?)


Paródia para Euclides:

O pobre é
Antes
(e depois)
de tudo um
Forte.


sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

:: Poema (?)



Sobre o Tempo I

Não sei se com o passar dos anos
os pernilongos ficaram mais rápidos e
ziguezagueando de maneira mais habilidosa
talvez tenham subido alguns degraus na escala evolutiva

ou eu que envelhecido julgo com a mente rápido
movimentos bem longe de astutos ou precisos


Não sei se a vida era rápida assim antigamente
quando ainda quem sabe pequeno tudo era tempo

De pipa e bola primeiro e por muito tempo
de trabalhar e trabalhar ainda mais todo o tempo
de amar e amar muito mais depois sempre sem-tempo
Mas hoje rijo bato palmas no ar como se estivesse a celebrar

Um inepto estágio evolutivo em que tudo ainda fosse o mesmo
ziguezague de sempre só que mais mais lento.